sábado, 30 de agosto de 2014

Marina Silva desmente a sua mentira - Coisas dos direitos das bichas

Marina foi mais rápida que Dilma quando se tratou de recuar e negar apoio às principais reivindicações do movimento LGBT. Seu programa de governo lançado ontem, sexta feira, apresentava um pequeno rol de promessas que conseguia atender às principais reivindicações do movimento gay. Casamento igualitário, criminalização da homofobia, legislação para aditamento de registro civil de nome e sexo de travestis e transexuais, execução do Projeto Escola sem Homofobia, prestação de serviços públicos básicos de capacitação para inclusão em mercado de trabalho etc.

Seu programa foi lançado à imprensa às 16 horas da sexta feira e hoje, sábado, a partir das 9 da manhã já constava uma nota fazendo correções neste ponto do programa. Em suma, Marina fez o que Dilma já fizera, mas foi mais rápida. O recuo se deu pela pressão que os gangsteres fundamentalistas exerceram sobre seu comitê, Se fazem isto agora, imaginem se ela for eleita do que serão capazes de fazer - e até onde vai ceder.

Marina foi mais uma vez fiel a sua tradição de ser ambígua e imprecisa sobre questões de comportamento e mais uma vez praticou um estelionato eleitoral. Durante anos Marina fazia questão de confundir casamento civil com casamento religioso para justificar sua desaprovação às uniões entre pessoas do mesmo sexo. Apostava na desinformação e deseducação do eleitorado. 

As bichas, sapatões, bi, travestis e transexuais que já marinaram por causa do seu programa, que desmarinem, pois os direitos de LGBT foram abortados (ui que palavra feia) antes mesmo da candidata ser eleita. 

Segue um quadro comparativo com as propostas mentirosas e o imediato desmentido das mentiras:

Programa de governo da candidatura de Marina Silva divulgado na sexta dia 29.08.2014
Nota de esclarecimento do dia 30.08.2014
Comentários



Para assegurar direitos e combater a discriminação:
Para assegurar direitos e combater a discriminação:




Apoiar propostas em defesa do casamento civil igualitário com vistas à aprovação dos projetos de lei e da emenda
constitucional em tramitação, que garantem o direito ao casamento igualitário na Constituição e no Código Civil.
Garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo.


Afasta o reconhecimento do casamento igualitário e restringe-se a garantir direito da união civil, o que é obrigação de qualquer administrador público, vez que se trata de decisão do STF.

Articular no Legislativo a votação do PLC 122/06, que equipara a discriminação baseada na orientação sexual e na
identidade de gênero àquelas já previstas em lei para quem discrimina em razão de cor, etnia, nacionalidade e religião.


Retira o apoio à criminalização da homofobia
Comprometer-se com a aprovação do Projeto de Lei da
Identidade de Gênero Brasileira − conhecida como Lei João
W. Nery −, que regulamenta o direito ao reconhecimento da
identidade de gênero das “pessoas trans”, com base no modo
como se sentem e se veem, dispensando a morosa autorização
judicial, os laudos médicos e psicológicos, as cirurgias e
as hormonioterapias.

Aprovado no Congresso Nacional o Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira – conhecida como a Lei João W. Nery – que regulamenta o direito ao reconhecimento da identidade de gênero das “pessoas trans”, com base no modo como se sentem e veem, dispensar a morosa autorização judicial, os laudos médicos e psicológicos, as cirurgias e as hormonioterapias.

Afasta-se do compromisso da aprovação do Projeto de Lei (não vai pressionar sua base no legislativo)
Eliminar obstáculos à adoção de crianças por casais homoafetivos.
Como nos processos de adoção interessa o bem-estar da criança que será adotada, dar tratamento igual aos casais adotantes, com todas as exigências e cuidados iguais para ambas as modalidades de união, homo ou heterossexual.
Ressalta as exigências e cuidados iguais para as adoções feitas tanto por casais de uniões homo como de heterossexuais.
Normatizar e especificar o conceito de homofobia no âmbito
da administração pública e criar mecanismos para aferir os
crimes de natureza homofóbica.

Normatizar e especificar o conceito de homofobia no âmbito da administração pública e criar mecanismos para aferir os crimes de natureza homofóbica.

Sem alteração
Incluir o combate ao bullying, à homofobia e ao preconceito
no Plano Nacional de Educação, desenvolvendo material
didático destinado a conscientizar sobre a diversidade de
orientação sexual e às novas formas de família.

Incluir o combate ao bullying, à homofobia e ao preconceito no Plano Nacional de Educação.
Exclui o material didático (Escola sem homofobia)
Garantir e ampliar a oferta de tratamentos e serviços de saúde
para que atendam às demandas e necessidades especiais
da população LGBT no SUS.

Garantir e ampliar  a oferta de tratamentos e serviços de saúde para que atendam as necessidades especiais da população LGBT no SUS.

Reduziu a proposta de atendimento das "demandas e necessidades" dos serviços de saúde para tão somente as "necessidades dos serviços de saúde" 
Manter e ampliar os serviços já existentes, que hoje atendem
com capacidade ínfima e filas de espera enormes.


Exclui este compromisso
Assegurar que os cursos e oportunidades de educação e capacitação
formal atendam aos anseios de formação que a população
LGBT possui, para garantir ingresso no mercado de trabalho.

Assegurar que os cursos e oportunidades de educação e capacitação formal considerem  os anseios de formação da população LGBT para garantir ingresso no mercado de trabalho.

Reduz de “atender” para “considerar” os anseios da formação da população LGBT
Dar efetividade ao Plano Nacional de Promoção da Cidadania
e Direitos Humanos LGBT.

Considerar as proposições do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT na elaboração de políticas públicas específicas para populações LGBT
Reduz de “dar efetividade” para “considerar as proposições”

sábado, 23 de agosto de 2014

Luciana Genro responde sobre homofobia e fundamentalismo religioso






De fato, ela tem uma visão clara sobre homofobia e o mal social que ela representa, o que a diferencia dos outros candidatos. Lamentavelmente não se faz escolha pelo candidato ou candidata tão somente pela sua opinião e empenho para erradicar a violência homofóbica. Se, do contrário fosse, certamente eu votaria nela.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O meu primeiro bullying. Colégio Meninópolis. De vítima a algoz: herança maldita.

Quando eu tinha 7 anos de idade, no ano de 1968 - para mim o ano que ainda não terminou - aprendi na prática o que era bullying, ao entrar no Colégio Meninópolis. Escola particular, católica, exclusiva para meninos e dirigida por padres da Congregação Pime, localizada no bairro paulistano do Brooklin, zona sul de São Paulo. Na minha visão de criança os padres do Pime eram grosseiros, falavam alto, e com sotaque de italiano ininteligível. Eram arrogantes, severos e sempre dispostos a repreender gratuitamente, para jamais perder a autoridade. O que me chamava a atenção é que jamais os via sorrindo, exceto quando estavam na presença dos pais de alunos, o que me passava a impressão de serem dissimulados. 


Ao contrário do pré-primário que cursei no ano anterior, no Colégio Jesus Maria José, onde tudo era um verdadeiro Jardim da Infância, os anos posteriores foram tormentosos e violentos, ameaçadores e sombrios, que me deixaram marcas indeléveis e fantasmas que até hoje me visitam, apesar de eu já tê-los expulsado várias vezes de minhas memórias em infindas sessões de terapia.


Não consigo entender como há pessoas que hoje ainda alimentam blogs, sites, listas de conversação e perfis em redes sociais com lembranças e saudosismo dos tempos de infância e adolescência no Meninópolis. Acho que alguém se esqueceu de me avisar que existia um lado bom naqueles anos e naquele lugar. Eu faltei na aula sobre este assunto, ou o meu pai pagou somente a parcela standard, relativa ao lado básico do ensino fundamental da época, que era um atraso. 

O bom do curso, o filet mignon, aquilo que hoje meus antigos colegas sentem saudades e motivos para celebrar nos seus blogs, isto tudo deixaram de me mostrar. Não guardo saudades, nem boas recordações de um único amigo. Nada. O dia que o Meninópolis foi entregue para a administração da Arquidiocese de Santo Amaro, depois de mais de 30 anos que saí de lá, eu festejei a notícia do fracasso do empreendimento empresarial e educativo da Congregação Pime. Posteriormente, no dia que ele fechou em definitivo, eu constatei que eu absolutamente dali era um sobrevivente. Que, apesar do Meninópolis, dos seus padres e de suas professoras, eu havia conseguido sobreviver com alguma sanidade mental e emocional.


Lembro me bem de todas as minhas professoras do curso primário, desde a dona Setuko, do primeiro ano, passando pela dona Pérola, dona Aurea e finalmente dona Mercedes. Escrevi e reescrevi este parágrafo pelo menos umas dez vezes, e a cada uma delas eu qualificava estas professoras com os piores predicados. Decidi por fim e por cautela simplesmente mencionar seus nomes. Estou certo que algumas já se foram, senão todas, mas continuaram habitando em minhas memórias as piores das lembranças. Nunca me senti à vontade, nem feliz, nem confortável, nem porra nenhuma naquele colégio, nem com aquelas professoras. Infância sofrida, triste e oprimida.

Naquele tempo eu não tinha noção de que era gay, que tinha desejo por outros do mesmo gênero, ou mesmo que a vida poderia ser melhor do que eu até então experimentara no convívio com coleguinhas, professoras e padres. Por outro lado, tinha também a limitação dos meus pais em não questionar nem cobrar dos padres e do sistema educacional um tratamento no mínimo justo e ético. Para eles, se havia problema, este era causado por mim e não pela escola e seus educadores. Tenho hoje a certeza que eles não tinham a noção do que se passara comigo durante aquele período. 

Acho que se meus pais ao menos uma vez tivessem me pego pela mão, ido até a escola e apontado o dedo no nariz da orientadora pedagógica ou da secretária da escola, ou do Padre Diretor, para lhes fazer reclamação dos maus tratos a que eu cotidianamente era submetido ou de como era ruim (para falar o mínimo e não perder a compostura) a pedagogia que me era aplicada por aquelas professoras despreparadas, eu certamente seria outra pessoa. Seria mais feliz. 

Fui educado com a ideia de que professores e pais não erram e, se erram, mesmo assim não podem ser questionados. Questionar é desrespeitar sua autoridade. 

Puta merda, fica difícil ser uma pessoa normal, com auto estima, com garra para viver, com vontade de ganhar dinheiro, com coragem de vencer na vida, se já enfiam na nossa cabecinha, desde pequenos, que somos errados até que provemos o contrário. Isto me lembra o papa João Paulo II, hoje equivocadamente canonizado, que disse que a homossexualidade é intrinsecamente má. Daí, não tem escapatória, os gays (LGBT) estão fadados ao fracasso da vida, segundo o infalível e santo papa. Nossa, só de lembrar do santo me dá arrepios. 

Se eu fosse percebido e ouvido pelas pessoas daquela escola, eu teria aprendido mais cedo que a felicidade faz parte do dia a dia, que reivindicá-la é algo natural e normal e que reagir contra a opressão não é ato de revolta e explosão, as quais só ocorrem depois de muito sofrimento represado. Enfim, que todos as pessoas têm direito a reivindicar para obter  felicidade.

Tudo ilusão e sonho da minha parte. Aguentei o pior dos tempos, pela bosta daquela escola, violenta e despreparada. Ainda bem que o Meninópolis fechou, e espero que tenha fechado para sempre!


Mas, o pior mesmo foi quando a vítima se transformou em algoz. E, foi o que aconteceu comigo. Eu passei a praticar com desenvoltura o mesmo bullying que fora vítima, contra meus colegas mais frágeis, como uma forma de sobreviver e superar as próprias opressões que sofria. A consagração da formação do caráter distorcido, o sucesso da educação recebida. Recordo-me de Fernando, um menino meigo e bondoso, que era o meu alvo predileto, a quem eu exercia toda a sorte de agressão e constrangimento verbal. E não havia razão específica, mas pelo simples fato de saber que ele era mais frágil, sensível e vulnerável. Havia um outro também, Carlos, que tinha uma deficiência congênita num dos olhos, que era menor que o outro. E eu, sempre que o via, imitava-o, franzindo um dos lados do rosto.


Ainda hoje vivo com ressentimentos pelas coisas que fiz e pelas coisas que fizeram comigo. Anos depois encontrei Carlos no Fórum. Eu bem que quis me aproximar e falar com ele, mas não tive chance, ele simplesmente fingiu que não me conhecia. Fez ele muito bem.


Não é à toa que o desafio pela igualdade de direitos e respeito à dignidade da pessoa humana são assuntos tão caros para mim, que os tomo como uma cruzada de pleno século XXI. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Erika Kokay é a nossa candidata. Ou ela ou mais um período de trevas.



Jair Bolsonaro quer ser o sucessor de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal.

Você concorda?

Pessoal, chegou a hora desta gente bronzeada mostrar seu valor para impedir esta catástrofe.




Prestem bem atenção e sigam as nossas dicas caso não queiram deixar que o Deputado Jair Bolsonaro - aquele que disse que seus filhos receberam uma boa educação e não andavam com pessoas do  convívio de Preta Gil - seja eleito e assuma a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, que até poucos dias era exercida pelo Deputado Marco Feliciano - aquele que disse que os africanos descendiam de Noé, e que era uma geração amaldiçoado.

Logo, a alternativa é colocar na presidência da Comissão a Deputada Erika Kokay (PT/DF) nome de consenso que tem recebido o apoio de vários deputados, inclusive de outros partidos. Os movimentos sociais de defesa dos direitos humanos estão também empenhados na vitória de Erika Kokay - e na derrota de Jair Bolsonaro, deputado que não se cansa de elogiar a ditadura militar e de hostilizar e discriminar os LGBT.

Para tanto, teclados e monitores à mão para copiar e colar os endereços eletrônicos dos deputados e deputadas federais. Temos que encher as caixas postais destes parlamentares exigindo que a Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias seja do Partido dos Trabalhadores e, assim, escolhida Erika Kokay para ocupar este cargo.

1) Texto: Para facilitar o trabalho, sugerimos o seguinte texto a ser enviado na mensagem:

"Cidade, data

Exmo(a) Sr. (a) Deputado(a) Federal,

Venho pela presente solicitar o empenho, o compromisso e a participação efetiva de Vossa Excelência para que a Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal nunca mais seja ocupada por pessoas que propugnam exatamente o contrário do que a história de luta pelos Direitos Humanos tem alcançado em favor da evolução de nossa civilização. 

Deste modo, solicito a Vossa Excelência que assegure com seu voto em favor do Partido dos Trabalhadores, e em especial da Deputada Federal Erika Kokay, a Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Sua contribuição é imprescindível e contará com o acompanhamento, a pressão e o controle social exercido pelos grupos e defensores de direitos humanos.

Atenciosamente
nome"


2) Eis o link com os endereços eletrônicos dos deputados e deputadas federais:

https://www.google.ch/url?sa=t&rct=j&q&esrc=s&source=web&cd=6&cad=rja&ved=0CE4QFjAF&url=http%3A%2F%2Fwww.portalpopulardacopa.org.br%2Findex.php%3Foption%3Dcom_k2%26view%3Ditem%26task%3Ddownload%26id%3D4&ei=RcX0UvSEEImGhQfMlICADw&usg=AFQjCNFjoHQKKlWXpelxM6oX9CkEYeeohg&sig2=f7gU83HG9XOqbMyM_787WQ

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A homofobia em 2013 prestando contas.


Com as mãos sujas de sangue e o olhar dissimulado.

Tenho visto nos últimos meses uns boletins com prestação de contas do trabalho que vem sendo desenvolvido por alguns gestores públicos que tratam da promoção do direito e da cidadania de LGBT.

Seria muito boa esta prestação de contas se o conteúdo fosse melhor do que o que vem sendo apresentado. Vejo alguns relatos com o seguinte teor: "Palestra realizada pela servidora tal na cidade de tal, sobre conceitos e princípios de diversidade sexual." "Abertura da Semana da Diversidade Sexual na cidade de tal", "Curso a distância para servidores públicos sobre diversidade sexual" e la nave va.....

Para mim, tudo que é feito neste sentido é perfumaria, por mais boa vontade - e até mesmo com má vontade - que se tenha para realizar um trabalho desta envergadura. Num país onde são cometidos 44% dos crimes de homicídio contra LGBT no mundo por razões de homofobia as prioridades deveriam ser: a segurança pública, a prevenção, o combate, o policiamento ostensivo, o acolhimento de desabrigados e abandonados pelos próprios familiares, a redução da violência policial mediante repressão interna da corporação, a redução da impunidade e la nave va.....

E isto requer grana, gente especializada e com vontade de pôr a mão na massa. Este problema não é enfrentado com ativismo público de gabinete nem com discurso romântico de união estável.

Falta seriedade para enfrentar e resolver o problema da violência homofóbica. Não há lei que criminaliza a homofobia no Brasil e o Congresso não quer aprová-la, por orientação do Poder Executivo Federal que tem rabo preso com os evangélicos papa niqueis.  Em São Paulo - estado onde moro - não há política de segurança pública voltada para prevenir nem para reduzir a violência homofóbica. 



https://www.facebook.com/photo.php?fbid=488846887898575&set=a.367019576747974.1073741827.100003198058432&type=1&relevant_count=1

Mas não é só lei que está faltando. Falta polícia com vontade de reprimir, investigar e prender os homofóbicos, assim como falta promotor para denunciar e juiz para condenar e colocar na prisão. Falta um kit anti homofobia, vídeo de prevenção de HIV/AIDS para gays no carnaval e tudo o mais que o governo Dilma anda boicotando.  

Aí surge, como sempre, o contraponto da história pseudo modernosa da redução do direito penal, transformando cadeia em cesta básica para orfanato. Isto é mais oportunismo político que outra coisa. Pergunte para os negros e para os judeus se eles querem mudar a lei CAO e transformar pena de prisão por racismo em prestação de serviços à comunidade. Pergunte às mulheres organizadas se elas querem alterar a Lei Maria da Penha.

Então, o que se faz é a tal perfumaria: curso para isto, curso para aquilo, palestra de capacitação, atendimento jurídico para propor processo administrativo para multar empresários que não atendem direito os clientes LGBT, e la nave va... Tapar o sol com a peneira.

Agora, no apagar de 2013, fiz uma pequena pesquisa dos crimes reportados no site QUEM A HOMOTRANSFOBIA MATOU HOJE sobre mortes de LGBT no Estado de São Paulo.

Considerando que o levantamento existente no site está sujeito à atualização, julgo que se trata de um levantamento precário e incompleto. Isto quer dizer que ainda vai ter mais cadáveres desfilando neste relatório. Presto aqui uma homenagem às suas memórias, pois foram vítimas da barbárie do fundamentalismo religioso e do plano de se manter no poder a custa de seus sacrifícios.

Eis a prestação de contas da Homofobia para os parlamentares do governo e da oposição, para os evangélicos e outras denominações fundamentalistas, para os homo e heterossexuais que fingem que este problema não é deles e que não estão nem aí com a hora do Brasil. Todos estão com as mãos sujas de sangue e com o olhar dissimulado.

Gostaria que os gestores públicos informassem ao menos qual o andamento que foi dado a estes casos junto a polícia civil e no judiciário. Acho que seria uma boa prova que ao menos o perfume é de qualidade.



FEVEREIRO DE 2013
     1)    Layla – Trans – Capital - SP

     
     2)    F E S – Trans – Cabreúva – SP

  
     3)    Valdir José Martins – Gay – Marília – SP


ABRIL DE 2013
   
     4)    Adriano Robson de Bueno – Gay – Piracicaba – SP


     5)    Trans – São José do Rio Preto – SP


JUNHO DE 2013
     
     6)    Dany – Trans – Campo Limpo Paulista - SP


AGOSTO DE 2013

     7)    Leonardo Stantelu – Gay – Capital


SETEMBRO DE 2013

     8)    Angelo Boin Netto – Gay – Presidente Prudente - SP


DEZEMBRO DE 2013

     9)    Gabriel Spanic – Trans – Joaquim Egídio – SP


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA SOFRE DURO GOLPE NO APAGAR DE 2013.


Bichas burras se fuderam e vão continuar morrendo.

Para começar bem 2014, o fundamentalismo religioso e o conservadorismo de direita e de esquerda higienizaram o Senado enterrando de vez o PLC 122/06 para facilitar as eleições que virão.

Anteontem, dia 17 de dezembro, a Comissão de Direitos Humanos do Senado votou pelo apensamento do PLC 122 ao projeto de alteração do Código Penal. Como já escrevi anteriormente, dia 17 de dezembro é um dia ruim para mim, mas como dizem as bibas, abafa o caso (clique aqui se você for muito curioso).



O que isto quer dizer?
Que o projeto de lei que criminaliza a homofobia deixou de tramitar sozinho, como vinha fazendo desde sua apresentação, há dez anos. Ele agora está apensado ao projeto de reforma do Código Penal, que salvo engano não será votado a curto ou médio prazo. Em outras palavras, ele será esquecido, arquivado, ignorado. E com ele irá para o esquecimento um grande problema que assola a comunidade LGBT que é a homofobia: a violência física e moral, a desagregação familiar, os assassinatos, os suicídios, o preconceito e a discriminação. 

É sempre bom lembrar que em 2012 foram assassinadas 310 pessoas por motivação homofóbica, segundo dados governamentais.



Pela internet, e fora dela, começou uma avalanche de acusações mútuas de militantes do movimento LGBT, pró e contra o governo. Dilma Roussef e o PT são os grandes vilões pelo arquivamento do PLC 122/06, para os que estão associados a partidos políticos de oposição, como o PSOL, PSB, Rede e até o PSDB. Afirmam que se Dilma quisesse o PLC 122 seria votado e aprovado, mas como ela não quer, pois tem compromissos com os evangélicos fundamentalistas que compõem sua base de governo, então nada se faz pelos direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

Eu também acho que isto poderia acontecer, se houvesse vontade política, mas nunca aconteceu antes, quando Lula era presidente em dois mandatos, assim como não aconteceu quando FHC era presidente em dois mandatos. Dá para imaginar o que vai acontecer no próximo mandato, se Dilminha for reeleita? 



Mas eu não faço campanha contra ela não. O Serra é um amigão do Malafaia e sua campanha em 2010 provocou um estrago muito grande para os movimentos sociais de LGBT e de mulheres. Outra opção seria Marina Silva, mas ela é uma evangélica explícita que até ontem era contra o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, sem saber bem o que era isto. Alguém acredita em Aécio? Vamos conversar, né?

O fato é que a agenda LGBT é igualzinha à agenda do aborto das feministas, nenhum político quer pôr a mão, pois tem medo de não ser reeleito. E caem na chantagem dos papa níqueis fundamentalistas.

O resultado da votação da Comissão de Direitos Humanos do Senado só confirma um fato: o movimento LGBT não pode contar com os partidos políticos, ele tem que pressionar, e pressionar e pressionar. Ir às ruas, fazer manifestação, expor os homofóbicos e denunciar os ladrões homofóbicos. Que junho passado nos sirva de inspiração. 

Os senadores Aloísio Nunes do PSDB de São Paulo e Lindberg Farias do PT do Rio de Janeiro não são evangélicos, mas são primo irmãos destes daí. Os políticos evangélicos fundamentalistas, que atuam contra os LGBT tem em comum uma coisa com os dois senadores: envolvimento com denúncias de corrupção.

Lindberg Farias coleciona ações judiciais de improbidade administrativa e compra de sentença judicial. Aloisio tem seu nome envolvido no propinoduto tucano que roubou mais de um bilhão dos cofres do governos do Estado de São Paulo e em 2010 foi acusado de envolvimento do caso Paulo Preto.

Já que não dá para convencer estes políticos de que direitos sexuais são direitos humanos e ninguém pode sofrer por ser LGBT, então o movimento LGBT precisa abraçar a causa da moralidade pública e expor a roubalheira que evangélicos fundamentalistas, e seus similares genéricos como Aloisio Nunes e Lindberg Farias estão envolvidos. Assim, mataremos dois abutres com uma cajadada só.

Higienização por higienização, não basta a falácia da homoafetividade conservadora e heteronormativa. Temos também agora que nos levantar contra a corrupção, para assim varrer os homofóbicos do Congresso Nacional.

Por fim, para de vez acabar com a xingação mútua dentro do movimento LGBT, segue um levantamento sobre os votos e os partidos políticos na sessão da Comissão de Direitos Humanos do Senado que enterrou o PLC 122. Tanto a direita, quanto a esquerda merecem o nosso repúdio.

Este levantamento é simples e objetivo. Visa  demonstrar a responsabilidade dos partidos políticos com a causa da criminalização da homofobia mediante o número de votos pró e contra a apensação do PL 122/06. Importante notar que partidos da oposição como PSDB e DEM não tiveram um único voto contrário à apensação, o que confirma que o conservadorismo e o fundamentalismo religioso influenciam as escolhas e ações da oposição. 

Pela esquerda o PC do B, legenda de Toni Reis, absteve-se de votar contra a apensação, o que é também uma traição para a comunidade LGBT. O óbvio é que o movimento LGBT caminha sozinho e solitário, mas as lideranças ainda não se deram conta disto, ou não querem fazê-lo.


PARTIDOS QUE VOTARAM MAJORITARIAMENTE CONTRA A APENSAÇÃO
PT – 4 votos contra a apensação, 1 voto a favor, 1 abstenção;
PSB – 3 votos contra a apensação, 1 voto a favor;
PV  e PSOL – 1 voto cada partido contra a apensação, nenhum voto a favor.

PARTIDOS QUE VOTARAM  MAJORITARIAMENTE  A  FAVOR  DA  APENSAÇÃO
PSDB – 8 votos a favor da apensação, nenhum voto contra;
PMDB – 5 votos a favor da apensação, 2 votos contra;
PR –  4 votos a favor da apensação, 1 voto contra;
DEM – 2 votos a favor da apensação, nenhum voto contra;
PDT e PTB – 2 votos cada partido a favor da apensação, nenhum voto contra;
PP, PRB e PSD - 1 voto cada partido a favor da apensação, nenhum voto contra .

OUTROS CASOS
SENADOR CRISTOVAM BUARQUE sem partido votou a favor da apensação e
PC do B – nenhum voto a favor ou contra a apensação, 1 abstenção.


sábado, 14 de dezembro de 2013


Sonho americano? Conheça 10 fatos chocantes sobre os EUA

Foi publicada na Revista Forum desta semana uma matéria com o mesmo título acima  (clique aqui) trazendo um rol de 10 fatos que contrariam a idéia tão propagada pelos próprios Estados Unidos de que são os grandes defensores das liberdades, a nação com melhor qualidade de vida no planeta e que nada é melhor do que o "american way of life".

Como se vê, a realidade se mostra outra. Para mim, o efeito mais dignificante é o de poder desmitificar e desmascarar e, ao mesmo tempo, acabar de vez com nosso atávico complexo de inferioridade. Eis os fatos sobre os EUA: 

     1.   Maior população prisional do mundo;

     2.   22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza;
     
     3.   Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países;
     
             4. Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade;

     5.   125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde;

      6.     Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo norte-americano;

      7.     Todos os imigrantes são obrigados a jurarem não ser comunistas para poder viver nos EUA;

      8.     O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares;

      9.     Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo;
     
     10.  Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin;