terça-feira, 31 de maio de 2011

Nota de Repúdio contra negociata do Governo Dilma que blinda Palocci e rifa direitos de LGBTs.

Nota Oficial de Repúdio da rede CONEXÃO PAULISTA LGBT, da FRENTE PAULISTA CONTRA A HOMOFOBIA E DO GADvS – GRUPO DE ADVOGADOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL sobre a suspensão do kit educativo do projeto Escola Sem Homofobia.

A FRENTE PAULISTA CONTRA A HOMOFOBIA – iniciativa de união de grupos do movimento social LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), de partidos políticos, órgãos públicos municipais e estaduais de São Paulo, entidades religiosas, centrais e sindicatos de diversas categorias de trabalhadores, entidades representativas de segmentos da iniciativa privada e cidadãos e cidadãs paulistas que atuam contra a homofobia, a CONEXÃO PAULISTA LGBT e o GADvS – GRUPO DE ADVOGADOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL, em atenção à decisão da Presidenta Dilma Roussef de suspender a produção e a distribuição do kit anti-homofobia junto às escolas públicas brasileiras, que estava em planejamento no Ministério da Educação, vem se manifestar nos seguintes termos:

Tal notícia causa consternação e indignação às pessoas jurídicas e cidadãos e cidadãs integrantes da Frente, da Conexão e do GADvS, em vista da excelência do conteúdo programático e da finalidade de promover conscientização acerca do respeito à dignidade da pessoa humana e do combate à homofobia constante no referido Kit anti-homofobia. Os jovens alunos e alunas das escolas públicas ficarão privados de acesso a informação privilegiada para a formação do caráter e da consciência de cidadania de uma geracao livre de preconceitos e violencia, ou violacao de direitos.

Este é um retrocesso que o Governo Federal está impondo à luta pela igualdade e pelo respeito à livre orientação sexual das pessoas. É um retrocesso na luta por uma educação de qualidade que liberta. É sabido que setores conservadores da sociedade brasileira – atrasados, retrógrados e desprovidos de conhecimentos segundo os quais direitos sexuais são elementos constitutivos dos direitos fundamentais da pessoa humana - têm se manifestado e atuado de modo a reforçar e a manter vários cidadãos e cidadãs brasileiros sob o julgo do preconceito e da discriminação por orientação sexual. E, nesta perspectiva, atuaram com forte pressão para a suspensão da distribuição do kit anti-homofobia. Afinal, o kit anti-homofobia não faz “propaganda de opção sexual” (sic), a uma porque orientação sexual e identidade de gênero não são passíveis de “escolha” ou “ensinamento”, sendo que as pessoas simplesmente se descobrem como homossexuais, heterossexuais, bissexuais, travestis ou transexuais independentemente de escolhas ou ensinamentos, como é notório e basilar a qualquer pessoa que estude minimamente o tema; a outra porque o kit anti-homofobia não pretende nada mais do que conscientizar professores e alunos adolescentes de que a homossexualidade, a bissexualidade, a travestilidade e a transexualidade são modos de ser de determinadas pessoas que merecem igual respeito e consideração por parte da sociedade relativamente ao respeito e consideração destinados à heterossexualidade, de sorte a promover um ambiente social pluralista e respeitador das diferenças, o que é inerente à vida em sociedade.

Nos últimos anos, a sociedade brasileira tem sido instada a refletir sobre a importância de proteger crianças e adolescentes da violência oriunda do bullying – como aquela decorrente do bullying homofóbico e de tantas outras oriundas da intolerância e do preconceito. Nesta perspectiva, a Frente, a Conexão e o GADvS esperam que a Presidenta da República reconsidere sua posição, para restabelecer a programação de distribuição do kit anti-homofobia junto às escolas públicas brasileiras, sabendo ser forte o suficiente para não sucumbir às pressões de setores conservadores e distantes da realidade social brasileira.

Fora também divulgada notícia de manobra política visando "blindar" as investigações acerca da evolução patrimonial do atual Ministro da Casa Civil Antonio Palocci, consistente em troca de favores, na qual os setores conservadores anuiriam em uma operação "abafa" das investigações, desde que o governo federal suspendesse a distribuição do kit anti-homofobia. Esclareça-se, desde já, que a Frente, a Conexão e o GADvS não pactuam com tais práticas políticas de temerária honradez, enfatizando que a laicidade do estado, o combate à homofobia, a transparência dos atos públicos e o combate à corrupção são elementos fundamentais na construção de uma República, que é a esperança do Brasil.


Nesse sentido, vale dizer que embora a disputa de interesses seja à democracia, com diferentes grupos se contrapondo por intermédio de de ações políticas com o intuito de concretizarem seus projetos sociais conforme seus pontos de vista, é de se criticar a postura da chamada Bancada Religiosa do Congresso Nacional, que se tem ocupado de tentar obstruir quaisquer conquistas dos cidadãos LGBT, e dos benefícios dessas conquistas à sociedade em geral, apenas por essas pessoas serem o que são. Dessa forma, cria-se um antagonismo político baseado em sexualidade, que é atributo essencial da pessoa humana, assim como o são raça, etnia e cor da pele, à semelhança de regimes que dizimaram ou impuseram submissão a milhões de pessoas em todo o mundo, com o que não se pode aceitar em razão da verdadeira opressão que a negativa de direitos por questões tão íntimas e indispensáveis à vida humana geram.

A decisão da Exma. Sra. Presidenta de suspender o referido projeto não é de interesse exclusivo da população LGBT. Trata-se de um precedente temerário que submete os Direitos Humanos à uma política nefanda e exige uma manifestação vigorosa da sociedade. Por isso, conclamamos Vossa Excelência a reconsiderar a referida decisão, respeitando os pareceres técnicos do MEC e da UNESCO que já aprovaram o referido material, de sorte a concretizar o Brasil Sem Homofobia no âmbito das escolas, para que possamos ter esperanças de, um dia, termos Escolas Sem Homofobia.

Sem mais para o momento, subscrevemo-nos.

FRENTE PAULISTA CONTRA A HOMOFOBIA
CONEXÃO PAULISTA LGBT
GADvS – GRUPO DE ADVOGADOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL

Estado laico. O que é isso, companheira?

A organização não governamental "Católicas pelo Direito de Decidir" emitiu uma carta aberta à Presidente Dilma  Roussef contra a suspensão do Kit anti homofobia e às suas declarações sobre propaganda de opção sexual. "Católicas" é uma organização internacional voltada às questões de direitos humanos, direitos reprodutivos e igualdade de gênero. Suas participações são muito relevantes em qualquer campanha e a reputação da entidade é em razão do trabalho que desempenha em favor das mulheres no mundo.


Carta aberta de Católicas pelo Direito de Decidir à Presidenta Dilma Rousseff sobre a polêmica criada em torno do kit anti-homofobia

Presidenta Dilma,

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Não gosto dos meninos". Curta Imperdível.


Depois de assistir a este curta metragem, você não será mais a mesma pessoa.
E a mudança será para melhor.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ozana

Ozana no jardim de sua casa,
em Londrina, anos 90.

No dia 25 de abril passado a cabeleireira Ozana Arruda morreu no Hospital do Coração, em Londrina, Norte do Paraná, depois de dois dias internada na UTI e de ter sofrido um enfarte e 7 paradas cardíacas.

Ela tinha 84 anos, nasceu em São Joaquim da Barra, Estado de São Paulo, e desde pequena já trabalhava na roça, ajudando seus pais no plantio de milho, café, hortaliças, montando cavalos e guiando charretes, em Jaguapitã, Paraná. Era apaixonada por plantas, sabia como cultivá-las e sempre teve em sua casa muitos vasos e jardins, com as mais diversas espécies de flores, folhagens, árvores, etc.


Ozana no Rio Cristina, em Barra
do Una em jan de 2008

Em minha casa, no Sertão de Barra do Una, São Sebastião, litoral norte de São Paulo, onde Ozana esteve por várias vezes, ela levava e plantava mudas que se tornaram grandes árvores e folhagens, que estão hoje embelezando o jardim. Por onde passo vejo seus rastros.

Ozana casou se com Chicão e teve 4 filhos: Rose, Roldão, Carlos e João, e todos abraçaram a profissão de jornalista. Sua origem humilde não lhe permitiu estudar na infância e juventude, de modo que, somente depois que os filhos estavam criados, ela decidiu ir a escola e se alfabetizar. Há alguns anos passou a frequentar aulas de natação, já com idade acima de 70 anos, e sempre que podia mostrava seus dotes de nadadora nas piscinas, rios e praias onde passava.

                                                                                                                                                 
Ozana, de pe´, à direita, em seu salão,
anos 60, Jaguapitã -PR

Mas, o que ela gostava mesmo era de trabalhar. Eita mulher laboriosa. Foi com o seu trabalho como cabeleireira que ajudou o marido e encaminhou os filhos. Até seus últimos dias Ozana mantinha uma pequena frequesia, que tinha a mesma média de idade que a sua e para a qual fazia cabelo, mãos e pés. Eu mesmo fui seu cliente, algumas vezes. Mas, é claro que, para a família, ela não cobrava. Se tinha uma coisa que Ozana não entendia era de dinheiro. Não sabia cobrar e nem ganhar dinheiro.


Ozana na cozinha da casa do filho
João, natal de 2007, Londrina PR

Outro ponto eram seus dotes culinários. Ela adorava cozinhar, fazer muitos pratos e dos mais diversos tipos. Nalgumas vezes que eu a visitava, tinha lá uma feijoada me esperando, por deferência pessoal. Fazia também um bom frango recheado, farofa, saladas e outras delícias que só de lembrar me dão água na boca. No começo do ano tive vontade de comer uma polenta com molho de tomate, prato bem simples, e toca eu então a ligar para a Ozana para ela me ensinar como se preparava uma deliciosa polenta.

Nos últimos dez anos Ozana também realizou, na sua melhor idade, um sonho que acalentava desde moça, que era cantar em coral. Escolheu logo ir cantar no Coral de Santa Cecília, da Catedral Metropolitana de Londrina. Todos os domingos, na missa das 10:30 da manhã, estava lá Ozana cantando na Catedral, com direito à transmissão pela rádio católica da cidade.

O prefeito de Londrina decretou luto oficial de 3 (três) dias quando ela morreu. Houve também um discurso na Assembléia Legislativa do Paraná, homenageando sua memória, e a publicação de um voto de pesar no Diário da Camara Federal. Até o prefeito de Curitiba enviou condolências à família. Os jornais de Londrina publicaram notas do seu falecimento, e um deles deu espaço para uma nota especial intitulada "Ozana nas alturas!". Passaram pelo seu velório centenas de pessoas, amigos, muitos profissionais de imprensa, deputados, vereadores, ex prefeitos, ex senadores, etc. Todos os porteiros do prédio onde morava foram dar adeus à Dona Ozana, que diariamente os presenteava com pratos de refeição, lanches e café. O cortejo fúnebre era longo e ocupou alguns quarteirões com vários carros enfileirados.

Embora tivesse uma vida simples, sem qualquer papel significativo no cenário político, e tampouco era uma celebridade, a morte de Ozana causou muita comoção. Isto por que Ozana, ou Dona Ozana, como era mais conhecida, virou unanimidade para todos que a conheciam. Uma pessoa generosa, doce, meiga. A casa dos Arruda desde cedo virou ponto de encontro dos amigos de seus filhos, gente de grupos de teatro amador e do movimento estudantil, fila bóia, que gostava do tempero da Ozana, ou que que sequer  tinha dinheiro para pagar almoço. E, todos eram sempre benvindos.



Visita a Aparecida
do Norte, em 2003. Ozana à
esquerda, ao lado de Eduardo
e D. Maria.




  Eu mesmo fui entrando devagarinho no seu coração, até que consegui o título vitalício e remido de "agregado" da família. Contava com uma arma secreta para seduzí-la, que era de acompanhá-la para visitar o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, nas vezes que vinha para São Paulo.  Cheguei também a lhe enviar pelo correio várias fitinhas de pulso com o nome da padroeira do Brasil. E assim deu certo! Ela está fazendo uma falta danada.





Quadro "Ozana" - Lucas Arruda
maio 2011,  I 20 Gallery NY.
Na próxima quarta feira, 25 de maio, quando completará um mês de falecimento de Ozana, o jovem pintor Lucas Arruda abrirá uma mostra individual na I-20 Gallery em Nova York e renderá uma homenagem à avó, intitulando de Ozana uma de suas obras. As demais obras não terão títulos.


Ninguém resiste a lhe prestar um tributo. Este relato é uma pequena homenagem que faço à Ozana, em reconhecimento e agradecimento por todas as coisas que ela fez e deixou, que me ajudaram a ser mais feliz. Ozana nas alturas!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os velhos judeus de Higienópolis, o metrô para Auschwitz e Danilo Gentili, o politicamente fascista

O colunista da Folha Marcelo Coelho escreveu uma memorável matéria em 18.05.2011, sobre a imbecilidade de Danilo Gentili e de toda a estirpe de "artistas e intelectuais" como ele:  reacionários, direitistas e fascistoides. Ele fez uma piada de péssimo gosto, afirmando que os velhos judeus de higienópolis não querem o metrô por lá pois temem que ele os leve para Auschwitz. Vale a pena ser lida, Segue abaixo na íntegra. clique aqui para ler a matéria no site da Folha. 

Se antes eu já não gostava deste sujeito, agora então não restam mais dúvidas. Faltam lhe talento e sensibilidade, sobra lhe boçalidade. Para quem não se recorda Gentili já andou falando merda outras vezes sobre gays e negros. Disse que negro que tem orgulho de ser negro é burro e comparou jogadores de futebol negros a macacos, que quando melhoram de vida casam com loiras. “King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?”


Este tipo de "jornalista/humorista/apresentador de televisão/crítico" acha que nasceu com o dom de falar coisas engraçadas e inteligentes ao mesmo tempo. Mas, a gente percebe logo de cara que ele é um embuste e não consegue enganar ninguém se escondendo neste jeito truqueiro de "politicamente incorreto".

Este cara deveria pegar o trem dos desempregados, isto sim.
Danilo  Gentili, o "artista"


   Judeus prisioneiros em Auschwitz

terça-feira, 17 de maio de 2011

Não basta ser honesto, tem que parecer honesto. Ministro Palocci deve explicações.

Foi publicada no dia 15.05.2011 no jornal Folha de São Paulo notícia que o Ministro da Casa Civil Antonio Palocci multiplicou seu patrimônio por 20 vezes nos últimos 4 anos. Leia matéria na íntegra abaixo reproduzida.

A Comissão de ética do Governo já declarou que não fará qualquer investigação sobre o caso, pois o Ministro havia feito as declarações de bens e os recolhimentos de impostos regularmente, não havendo motivo para levar o caso adiante. Dilma disse que estava satisfeita com as explicações de Palocci. 

A quem esta Comissão pensa que convence? É claro que Palocci fez tudo certo, ele não é bobo nem incompetente. Declarou e recolheu impostos e adaptou sua empresa para ser compatível com a função do Ministro. Mas não é isto que está causando clamor nem mau estar coletivo.

A pergunta que não quer calar é outra:
Como ele multiplicou em 20 vezes seu patrimônio em 4 anos? 
Quem o contratou? quanto pagou? que serviço foi feito?
Afinal, nestes 4 anos ele também exercia a função pública de deputado federal.
Não dá para responder? É quebra de sigilo? Se ele quiser ele declara.  

Uma outra pergunta que não deixa de habitar nosso imaginário: Por que Palocci vai largar tudo  para receber um salário de Ministro de Estado, que não é lá estas coisas se comparado ao que a sua empresa PROJETO conseguiu arrecadar?

Amor à pátria e à causa pública?

Segue também abaixo a opinião de Fernando Barros e Silva, publicado na Folha de São Paulo de hoje, 17.05.2011, "Um petista neoclassico",  na qual o jornalista faz este questionamento. 

Palocci tem que ser transparente. Ele já foi Ministro da Fazenda de Lula e também esteve envolvido em processos de quebra de sigilo bancário de seu caseiro. Para manter credibilidade do governo ele precisa ser e parecer honesto.

sábado, 14 de maio de 2011

Preso em Maceió Auditor Fiscal da Receita Federal suspeito de corrupção.

Está publicado em todos os jornais do país. Na última quarta feira foi preso em Maceio o ex Chefe da Receita Federal do Brasil em Caruaru - Pernambuco, Saulo de Tarso Muniz dos Santos, pela Polícia Federal, na Operação Incongruência.

Foto de Saulo de Tarso Muniz dos Santos
Segundo informações da Polícia Federal, o nome da operação está relacionado à incompatibilidade entre a remuneração mensal do auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, R$ 16.000,00, e o patrimônio investigado. Muito dinheiro no bolso, além de bens, para pouco salário. A grana envolvida é preta, 12 milhões: dentre os mais de 40 bens investigados estão um apartamento na avenida Boa Viagem avaliado em R$ 1,5 milhão, outro em Apipucos no valor de R$ 1,3 milhão, uma pousada em Maragogi avaliada em R$ 550 mil e um apartamento em Maceió no valor de R$ 280 mil e cinco carros de luxo.

 A investigação foi iniciada há dois anos, e o acusado é suspeito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro através de proposta de sonegação fiscal, principalmente de blindagem patrimonial. Também segundo as notícias da imprensa o auditor fiscal da Receita Federal usava sua mãe e sua amante como laranjas, amante aliás que é Professora da UFPE. Os bens dos principais investigados foram bloqueados. Estas informações foram tiradas do site do Diário de Pernambuco. clique aqui .

Foi postado neste blog em 15.02 passado uma notícia sobre corrupção de servidores públicos. Há no texto o "Roteiro da Safadeza", em que foi citada a estratégia de usar familiares para esconder o dinheiro roubado. Se quiser, dê uma espiadinha. clique aqui. As acusações da Polícia Federal  devem ser provadas, antes de se fazer qualquer juízo sobre Saulo de Tarso, porém o caso parece bem complicado, pois a investigação vem de longa data, envolve seus parentes e também muitos bens bloqueados.

Há por fim uma notícia no Boletim Informativo do sindicato dos auditores fiscais Unafisco Sindical de 21 de fevereiro de 2008, no. 2542, que cita o auditor fiscal Saulo de Tarso como autor de uma proposta para que as execuções fiscais, que hoje são realizadas pela Justiça Federal, por juízes e procuradores da fazenda nacional, passem a ser realizadas pela Receita, como maneira de reduzir o tempo e incrementar a arrecadação.

Esta proposta faz parte de um trabalho de mestrado do auditor fiscal, e que foi aprovado por uma universidade espanhola. Pelo visto ele é mestre e entende de incremento da arrecadação.

No mais, vamos esperar o que a Justiça tem para dizer.



BOLETIM INFORMATIVO 2542 DE 21 DE FEVEREIRO DE 2008 - UNAFISCO SINDICAL
       CARUARU
Auditor defende execução fiscal pela via administrativa
Auditores-Fiscais reunidos em Assembléia Nacional realizada pela DS (Delegacia Sindical) Caruaru, ontem (20/2), solicitam apoio da DEN em favor da idéia defendida na dissertação de mestrado do delegado da Receita Federal do Brasil, Saulo de Tarso Muniz dos Santos. O estudo foi aprovado por uma universidade espanhola e considerado o melhor apresentado por representantes de países da América Latina.
A tese defende a adoção no Brasil da execução fiscal na via administrativa, diminuindo sensivelmente o prazo médio atual de 16 anos para recuperação do crédito tributário. Na avaliação da DS, a proposta garantiria o incremento da arrecadação, viabilizando o reajuste salarial dos servidores públicos....

O primeiro beijo gay na Tv, a primeira união estável e ....dããããã

Mal acabou a sessão do STF - que julgou constitucional a união estável entre pessoas do mesmo sexo - foi iniciada uma corrida para alcançar o podium do primeiro casal a ter o registro de escritura de união estável lavrado em cartório.

Na última terça feira, dia 10.05.2011 disputavam um casal de Goiania e outro de Curitiba, sendo que o de Goiania fazia questão de afirmar que a sua escritura foi assinada às onze horas, antes do casal de Curitiba.

Só os desinformados mesmo dão importância para o"Guiness de meia pataca", pois afinal as escrituras de União Estável de pessoas do mesmo sexo já são lavradas em vários cartórios Brasil afora há alguns anos. O que o STF fez foi declarar a constitucionalidade da união entre pessoas do mesmo sexo e, consequentemente, a validade destas escrituras. Dããããã

Mas apego a coisas "nosense" não tem orientação sexual. Logo depois da aprovação do divórcio em 1977, houve também disputa para saber qual seria o primeiro divórcio do Brasil.
Vida Alves, atriz que protagonizou o primeiro beijo
hetero e também o primeiro beijo lésbido da tv brasileira
Um outra coisa que me faz queimar os cabelos, que já não são muitos, é a cruzada pelo "primeiro beijo gay" na televisão. Para mim é coisa de quem não tem o que fazer, a não ser dar asas à fantasia e alimentar frustração de não ser roteirista de novelas, ou produtor de programas de televisão. Minha Nossa Senhora de Copacabana, me ajude com as minhas irmazinhas de cabeça fraca. Vão bater uma laje que é mais útil. mas cuidado para não lascar a unha. Ou vão bater o cabelão, mas desgrudem da televisão um pouco, meigas.

Georgia Gomide protagonizou o 1o. beijo lésbico
em 1963 na TV Tupi com a atriz Vida Alves
É um tal de escrever para a Globo e enviar mensagens para as listas de internet, a cada final de novela, para fazer pressão para o beijo gay ser exibido, que já não tem mais graça quem matou Salomão Ayala ou Odete Roitman. Nem Heleninha se salva. O que importa para as perigosas é o primeiro beijo gay.

Pois então, o primeiro beijo gay na televisão brasileira (lésbico) foi dado em 1963, há pelo menos 48 anos, na TV TUPI, pelas atrizes Vida Alves e Georgia Gomide, conforme foi publicado no site http://www.gay.com/. clique aqui

E, enquanto isto, as desinformadas ficam fazendo ofício para a Central Globo, levantando o argumento que televisão é concessão pública e a Globo tem obrigação de exibir o beijo gay. O enfoque da crítica neste post é outro: o apego à superficialidade da abordagem do tema, sem seriedade e comprometimento.

Um debate sério que se pode extrair desta revelação é sobre a permissividade que o machismo confere às relações lésbicas, a ponto de um beijo entre duas mulheres poder ser exibido em 1963, sem reservas, em Tv aberta, no Brasil, em horário nobre, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Enquanto que, em 2011 ainda não se permite que dois homens se beijem na televisão. Isto é machismo, homofobia e invisibilidade lésbica.

Sugestão: Vamos convidar a Vida Alves para a próxima Parada Gay. (mas, quem vai convidar primeiro, a Parada do Rio de Janeiro ou a de São Paulo? dããããã )

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Frade Carmelita elogia decisão do STF

Encontra-se disponível para leitura no site do Globo (clique aqui ) uma interessante entrevista com o Frade Carmelita e também sacerdote católico Frei Gilvander Moreira, que elogiou a decisão do STF em reconhecer a constitucionalidade das relações estáveis entre pessoas do mesmo sexo. Fiel ao carisma da Ordem do Carmo, Frei Gilvander foi profético, e buscou a verdade ao declarar sua opinião em defesa de LGBTs.
Segue abaixo a íntegra da matéria e entrevista.



Por que não famílias homossexuais?
Padre contraria CNBB e elogia Supremo por legalizar união de casais gays no Brasil
Publicada em 12/05/2011 às 23h42m
Chico Otávio

RIO - A primeira reação do frei Gilvander Moreira, padre mineiro da Ordem dos Carmelitas, ao ser convidado a analisar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo foi de temor: "Vou ser reconhecido por quem é de mente mais aberta, mas vou apanhar muito dos dogmáticos e conservadores". Porém, mesmo desconfiado de que pagaria caro pela entrevista, resolveu falar porque "a causa é justa e vale a pena". Mestre em Exegese Bíblica, professor de Teologia e assessor da Comissão Pastoral da Terra, Frei Gilvander disse que o Supremo está de parabéns por tornar visíveis as milhares de uniões homoafetivas do país.

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.Como o senhor recebeu a decisão do Supremo?

GILVANDER MOREIRA: Com alegria, pois é uma vitória dos movimentos e dos grupos que historicamente vêm lutando pelo direito à liberdade sexual homossexual. Nesse caso, o STF posicionou-se com justiça e equidade. A sociedade está em constante transformação, e esse grupo em questão existe e está no dia a dia vivendo e construindo suas relações à margem da sociedade. Devido a isso, o Direito não podia mais se esconder ou continuar negando esse direito a relações homoafetivas. Foi um exemplo de coragem e cidadania. Tornou-se visível o invisível. Declara-se assim o início do fim da hegemonia da moral heterossexual. Abre caminho para a afirmação, à luz do dia, das mais de 60 mil uniões estáveis entre homossexuais no Brasil, que até aqui pagavam um altíssimo preço pela sua orientação sexual.

Como o senhor vê hoje a situação dos homossexuais no Brasil?

GILVANDER: Segundo o pesquisador Luiz Mott, da UFBA, o mais preocupante é que o registro de violência contra a população LGBT vem aumentando ao longo dos anos. De janeiro a novembro de 2010, Mott contabilizou 205 assassinatos. Estima-se que o número de casos de discriminação da população LGBT atinge entre 10 mil e 12 mil por ano no país.

O senhor considera a sociedade brasileira preconceituosa?


GILVANDER: Infelizmente estamos numa sociedade preconceituosa, intolerante, hipócrita e cínica. Ainda há muito moralismo, fundamentalismos e sectarismos em segmentos conservadores de igrejas e da sociedade, que ficaram irritados e questionam o acerto da decisão. No último Censo, foi declarado que há mais de 60 mil uniões estáveis homoafetivas no Brasil. O movimento que defende os direitos dos homossexuais está crescendo, o que é muito bom. Na decisão do STF , não se pode deixar de destacar e parabenizar a luta deste movimento, que vem marchando pelas ruas e erguendo suas bandeiras.

Já ouviu confissões de pessoas que se declararam homossexuais? Que conselhos costuma dar?

GILVANDER: Já ouvi. Uma, por exemplo, perguntou: "Gostei muito da sua homilia de ontem. Por isso, resolvi me confessar. Frei Gilvander, ser homossexual é pecado?". Disse ainda que tinha lido um livro da Renovação Carismática que dizia que não era pecado ser homossexual, desde que não colocasse em prática o sentimento. Mas a pessoa disse que não tinha como não colocar em prática. Diante disto, preferia até se suicidar. Respondi que, se o elo mais forte de uma corrente é justamente o elo mais fraco, só poderá ser mais justo e aplaudido por Deus o elo enfraquecido e discriminado. Feliz do povo que ouve os clamores dos que fazem outra opção sexual senão a hegemônica. Deus ouve os clamores de todas as pessoas oprimidas. Deus é amor e não discrimina e nem pune ninguém por opção ou orientação sexual. Deus acolhe a todos sem distinção. Eu disse ainda que devemos respeitar todos, mas não podemos respeitar todos da mesma forma. Sentindo-se compreendida e acolhida, a pessoa desistiu do suicídio. Ergueu a cabeça, levantou-se e foi embora.

A união civil entre pessoas do mesmo sexo ameaça a família?

GILVANDER: Penso que não, por vários motivos. São minorias e há uma grande pluralidade de famílias hoje. Há famílias tradicionais; famílias só com mãe e filhos (monoparental); 80 mil famílias sobrevivendo debaixo da lona preta em acampamentos clamando por reforma agrária; milhares de famílias que sobrevivem apertadas em um único quarto de cortiço; milhões de famílias arrochadas em barracos nas favelas; famílias só "marido e mulher", sem filhos. Por que não pode haver também famílias homossexuais?

Há referências diretas ou indiretas na Bíblia sobre o tema?

GILVANDER: Na Bíblia, o primeiro relato da Criação (Gênesis 1,1-2,4a) mostra o ser humano profundamente ligado a todas as criaturas do universo. De uma forma poética, o relato bíblico insiste na fraternidade de fundo que existe entre todos os seres vivos, que são uma beleza. Nas ondas da evolução, Deus, ao criar, sempre se extasia diante de todas as criaturas e exclama: "Que beleza! Bom! Muito bom!" O livro de Atos dos Apóstolos resgata, nas primeiras comunidades cristãs, essa mística ao dizer que não há nada impuro. Tudo é puro, é sagrado.

O que o senhor tem a dizer sobre o uso da camisinha?

GILVANDER: Devemos preservar a nossa vida, a do próximo e a de toda a biodiversidade. Para isso, são necessárias várias coisas, entre as quais o uso da camisinha nas relações sexuais. Por questão de saúde pública e respeito à sacralidade de cada um. Não podemos correr risco de contrair HIV e/ou doenças sexuais que matarão o outro aos poucos. Isso não tem o apoio do Deus da vida. Mas camisinha não é panaceia para todos os males. Enquanto houver sexismo, imoralidades e erotismo trombeteados aos quatro ventos por novelas e filmes, reduzindo a mulher a objeto, infelizmente só usar camisinha será paliativo. É preciso educação de qualidade e elevar o nível cultural do povo.

Sua posição a respeito de tais temas é solitária na Igreja?

GILVANDER: Não. Há muitos teólogos e teólogas, cristãos e cristãs, que partilham conosco essas posições. Todo o povo da Teologia da Libertação. Na Igreja, há membros que comungam conosco dessa visão mais compreensiva com os direitos das minorias. Há igrejas e não apenas uma igreja. Quando membros da Igreja instituição se posicionam de forma moralista, proselitista e autoritária, afugentam muitas pessoas. Mas quando membros da igreja ouvem, dialogam e, inspirados no evangelho de Jesus Cristo, testemunham o grande sonho do Deus, o da vida em liberdade e abundância, cativam muitas pessoas para se engajar em projetos humanizadores


quinta-feira, 12 de maio de 2011

CNBB declara que união entre homossexuais não equivale à família e estranha decisão do STF

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil CNBB emitiu nota sobre a decisão unânime do STF que conhece a constitucionalidade das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Na nota a CNBB afirma que as pessoas que manifestam preferência pelo mesmo sexo não podem ser discriminadas, mas insiste que a união entre homossexuais não equivale à família.

Leia nota da CNBB na íntegra:


Igreja Anglicana reconhece decisão do STF e diz que foi inspiração do Espírito Santo

O Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil Dom Maurício José Araújo de Andrade emitiu um comunicado reconhecendo e enaltecendo a decisão unânime do STF sobre a constitucionalidade da união estável entre pessoas do mesmo sexo.

Em corajosa manifestação Dom Maurício afirma que "Louvamos a Deus pelos avanços conquistados, entendendo que fazem parte da sutil e gradativa inspiração do Espírito Santo para transformar nossa sociedade.´"

Segue abaixo o inteiro teor da manifestação do Bispo Primaz.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

União Estável do mesmo sexo é aprovada pelo Supremo Tribunal Federal - STF

Ainda não acabou o histórico julgamento do Supremo Tribunal Federal, e o Ministro Celso de Mello permanece proferindo seu voto. Agora são 20:00hs de 05.05.2011, quinta feira, mas já é fato que por maioria o Pleno do STF julgou procedentes as ações ADI 4277 e ADPF 132, que resulta no reconhecimento da constitucionalidade  da união estável entre pessoas do mesmo sexo, assim como é assegurada pela Constituição Federal a união estável para os casais heterossexuais.




Estou muito emocionado e mal consigo escrever este post, afinal já se vão mais de 15 anos desde que a então Deputada Marta Suplicy apresentou seu projeto de lei de união civil. De lá para cá, muita água correu por debaixo da ponte.

Depois vieram as paradas na Avenida Paulista, as novelas com personagens gays, a aprovação de leis municipais e estaduais, as decisões judiciais individuais, e a cada dia um pequeno espaço era ocupado, para alcançar a igualdade.




Diferentemente da Argentina e Portugal, e de outros países, que aprovaram leis sobre o casamento gay e a união estável entre pessoas do mesmo sexo, no Brasil o Legislativo exerceu um papel desprezível, mais uma vez, de se omitir, envergonhar e desmoralizar a democracia brasileira.

Aqui, o Poder Judiciário teve que atuar subsidiariamente, para tapar buraco da omissão e decadência do Poder Legislativo.

Agora, porém, apesar dos deputados e dos senadores omissos, apesar dos evangélicos e dos católicos fundamentalistas, apesar dos ignorantes e analfabetos políticos, e outras pessoas igualmente do mal, nós, LGBTs nos tornamos um pouco mais cidadãos. E, agora, no começo da noite desta quinta, o Brasil se tornou um pouco mais justo e democrático do que era hoje de manhã, ontem e no passado.

Viva!


quinta-feira, 21 de abril de 2011

"Deus nos livre de um Brasil evangélico"

O texto abaixo, de autoria do Pastor Evangélico Ricardo Gondim (foto abaixo), traz novos ventos de esperança e fé em dias melhores para todos aqueles que têm lutado com veemência contra o fortalecimento do fundamentalismo religioso no Brasil. Ele se encontra publicado no site do pastor (clique aqui) e aqui é reproduzido na íntegra.


Fiquei encantado com a lucidez e sinceridade de suas palavras. Cada parágrafo lido dava me mais confiança em seu discurso e na brasilidade de sua alma. Gondim observou que  "um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?" 

Gondim tem sensibilidade e coragem suficientes para se contrapor ao crescimento do movimento evangélico, afirmando com convicção quase profética que  "toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista."

Neste blog já transcrevemos um artigo de Benjamin Moser, "Pelo amor de Deus não copiem os Estado Unidos", publicado na coluna de Tendências e Debates da Folha de São Paulo de 24.10.2011, que trata de questão da imposição da moralidade na política pelos evangélicos leia aqui..

Deleitem se agora com esta leitura de Gondim


DEUS NOS LIVRE DE UM BRASIL EVANGÉLICO
Ricardo Gondim

Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.

Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.

Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar "crente", com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).

Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.

Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadu? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?

Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?

Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.

Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.

Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?

Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.

Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.

Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.

Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.

Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.

O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.

Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.

Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.

Soli Deo Gloria
7-02-11

sábado, 16 de abril de 2011

Programa de televisão "Conexão Reporter" trata de homofobia - 14.04.2011

O programa do SBT Conexão Repórter desta quarta-feira, apresentado pelo jornalista Roberto Cabrini, abordou o tema da homofobia e da intolerância a LGBTs. O programa está no youtube, e foi dividido em duas partes.


Na primeira parte do programa fala-se mais de grupos neonazistas que pregam a intolerância pela violência, como os carecas do ABC, por exemplo. Além de opiniões de advogados, delegados de polícia e gays assumidos e famosos, como o apresentador de televisão Leão Lobo. A vida noturna de travestis é também mostrada, revelando a grande dificuldade destas profissionais do sexo, expostas e vulneráveis a ataques violentos.




Na segunda parte (clique aqui para assistir) foi mostrado um caso específico do enfrentamento por uma família da revelação da homossexualidade do filho caçula. A especialista em adolescentes e jovens gays Edith Modesto foi entrevistada.


Eu recomendo que assistam ao programa. Vale a pena!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Jesus Cristo não morreu enforcado e eu não sou parente de Daniel Piza



Amigo leitor, vamos esclarecer de vez duas coisas que sempre geram dúvidas e curiosidades:

1.- Eu não sou parente do jornalista Daniel Piza.

2.- Sim. Daniel Piza escreveu em 07.12.1994, na Folha de São Paulo, que Jesus Cristo morreu enforcado. Não, ele não morreu enforcado. Para aqueles que ainda não sabem, ele morreu crucificado.


Pronto falei.
Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7.dez.94)


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Presidenta Dilma responde às declarações homofóbicas de Jair Bolsonaro

A Presidenta Dilma Roussef acaba de fazer um pronunciamento à nação em cadeia nacional de rádio e televisão respondendo às declarações homofóbicas de Jair Bolsonaro.

Todo o nosso apoio à presidenta Dilma!


Jarbas Passarinho: "Nunca pude suportar Jair Bolsonaro"

Amigas e amigos, leiam que delíciosa é esta entrevista feita com Jarbas Passarinho sobre Jair Bolsonaro, que está no portal TERRA. Se quiser ler a matéria no site, clique aqui.


Claudio Leal


O repórter pronunciou o nome "Jair Bolsonaro" e, do outro lado da linha, o ex-ministro Jarbas Passarinho abusou do fôlego de 91 anos para bendizer o deputado federal: "Ah, esse homem eu nunca pude suportar!".

Desafeto de Passarinho, Bolsonaro protagoniza uma polêmica comportamental e política desde que declarou seu desapreço por um hipotético namoro de seu filho com uma negra, em entrevista ao programa humorístico "CQC".

Provocado por uma pergunta da cantora Preta Gil, filha do compositor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, o capitão reformado do Exército deu uma pedrada: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu". Bolsonaro responderá a um processo por racismo, movido por 20 deputados.

Grudou-se ao congressista de extrema direita o mito de que representa a alma das Forças Armadas. Passarinho pega a contramão e desconstroi o discurso de Bolsonaro. "Ele irrita muito os militares", garante. Para definir seu interlocutor ideal, recorre, ora vejam só, à escritora francesa Simone de Beauvoir.

- Já tive com ele (Bolsonaro) aborrecimentos sérios. Ele é um radical e eu não suporto radicais, inclusive os radicais da direita. Eu não suportava os radicais da esquerda e não suporto os da direita. Pior ainda os da direita, porque só me lembram o livrinho da Simone de Beauvoir sobre "O pensamento de direita, hoje": "O pensamento da direita é um só: o medo". O medo de perder privilégios.

Ex-ministro do Trabalho, da Educação e da Previdência no regime militar, além de ocupar o ministério da Justiça no governo democrático de Fernando Collor, Jarbas Passarinho presidiu o Congresso Nacional e personalizou uma parcela dos militares moderados. No governo Costa e Silva (1967-1969), ele participou da reunião do AI-5, marco da restrição às liberdades individuais no País, em dezembro de 1968. Adiante, no governo Médici (1969-1974), foi o primeiro ministro militar - na realidade, um híbrido, com carreira civil - a admitir, publicamente, a existência de tortura, em entrevista ao repórter Reali Júnior.

Conhecido por sua habilidade para o diálogo com a esquerda e a direita na ditadura, o tenente-coronel reformado vive atualmente em Brasília e passou por problemas de saúde em 2009 e 2010. Depois de um ano de repouso, voltou a escrever artigos para a imprensa. Nesta entrevista a Terra Magazine, aceitou falar, a contragosto, daquele que Nelson Rodrigues poderia chamar de "personagem da semana": Jair Bolsonaro, um homem que ele nunca conseguiu suportar.

Terra Magazine - O que o senhor acha da polêmica de Jair Bolsonaro? Ele sempre diz que representa os militares. Isso é real?

Jarbas Passarinho - Nem todos os militares estão ligados a ele, mas como ele é o único que aparece falando... Os militares, inclusive depois do meu silêncio por doença, perderam espaço. Eu perdi meu espaço no "Estado de S. Paulo", no "JB" (Jornal do Brasil), que infelizmente faliu, no "Correio Braziliense", no "Estado de Minas". Então, desapareceu essa voz que tinha uma penetração na área mais nobre da mídia. Ele irrita muito os militares também, porque quando está em campanha, em vez de ele ir ao Clube Militar, como oficial, ele vai pernoitar no alojamento dos sargentos (risos). Pra ganhar a popularidade dele. Quando eu fui ministro da Justiça, recebi a visita de uma viúva de um brigadeiro de quatro estrelas. Ela era pensionista, portanto. Sabe que a pensão dela, naquela ocasião, no governo Collor, era o que um cabo recebia na ativa? O Collor me autorizou a tentar fazer uma modificação daquilo, pra ter pelo menos um pouco mais de dignidade. Ele (Bolsonaro) me viu fazendo isso. Ficou calado, veio com a esposa dele lá do Rio (de Janeiro), e em seguida ele foi pra tribuna e deu aquilo como projeto de lei dele. Por aí tu vês qual é a pessoa.

No programa do CQC, ele disse que considerava uma "promiscuidade" um hipotético namoro do filho dele com uma negra, e atacou os homossexuais.

Se alguém me procurar sobre isso, eu me recuso a dar opinião. Recuso porque eu tenho por ele uma verdadeira idiossincrasia. Foi mau militar, só se salvou de não perder o posto de capitão porque foi salvo por um general que era amigo dele no Superior Tribunal Militar (STM). O ministro (do Exército), que era o Leônidas (Pires Gonçalves), rompeu com esse general por causa disso (em 1986, Bolsonaro liderou um protesto pelo aumento do soldo dos militares). Ele começou a se projetar quando aluno da escola de aperfeiçoamento de capitães. Deu uma entrevista falando dos baixos salários que nós recebíamos.

Quem era o general que o apadrinhava?

Já morreu. Comandou o II Exército, um general de muito respeito entre nós todos.

E o Bolsonaro...

Todos se aproveitam, usam como um modo de currículo. Com base nesse currículo, recebem votos.

As ideias de Bolsonaro são representativas para a maior parcela das Forças Armadas?

Não tem. Alguns sujeitos (apoiam), mas é raro. Tem um jornal mineiro, chamado Inconfidência de Minas... É o único grupo ativo de militares da reserva. Então, pela primeira vez ele pôs um artigo lá. Daqui a pouco, nem isso ele põe. Porque o pessoal recebe com restrição. Agora, claro que não vai botar contra ele.

Ele causa mal-estar nas Forças Armadas?

Não posso dizer isso, porque seria uma opinião pessoal. Ele já teve um aborrecimento comigo. Um cadete meu, que depois foi paraquedista e fez parte da luta contra a guerrilha do Araguaia, Lício Maciel, que esteve à morte, uma guerrilheira atirou na boca dele... Quase foi o fim. E o Lício Maciel foi na conversa do Bolsonaro, que o levou para uma sessão (no Congresso). Ele entrou e levou o Lício, que foi na conversa dele e começou a dizer: "(José) Genoíno, você tenha a coragem de dizer aqui na minha frente que foi torturado... Você mente! Você foi preso por mim, pelo meu grupo". Depois eu soube, por uma mulher da esquerda, que ele (Genoíno) confessou que lá ele não foi torturado, mas depois.

Então, Bolsonaro submeteu esse rapaz a um vexame, porque ele entrou numa sessão do Congresso. Eu escrevi um artigo e mostrei a total imprudência e irresponsabilidade do deputado. Submeter um oficial brilhante, digno, que tinha exercido sua atividade contra a guerrilha sem nunca ter participado de uma violência física, e ao contrário, sofreu, para depois ser expulso de uma sala da maneira vergonhosa como foi!... Ele escreveu para o "Correio Braziliense" me metendo o pau. Era a primeira vez que ele tinha coragem, depois de tantos atritos. Ele (Bolsonaro) me insultou, dizendo que eu era um escondido da esquerda, um infiltrado, não sei o quê. E mais ofensas de natureza pessoal. O "Correio" não publicou. Ele ficou indignado. Eu não gosto nem de falar sobre ele, porque tudo isso vem à mente.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Morre Jose Alencar mas Rosemary de Morais continua viva e sem pai!

Ex vice presidente da República morre em São Paulo na tarde de ontem.

Faleceu em São Paulo, na tarde de ontem, 29.03.2011, o ex vice presidente da República José Alencar, depois de uma longa batalha de vários anos contra o cancer no abdome. Alencar tornou-se uma unanimidade por sua luta contra a doença e pela vontade de viver.


Os meios de comunicação também exortam sua atuação como empresário e político, inclusive responsabilizando-o pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial, pois teria Alencar levado Lula mais para o centro, afastando-o do isolamento da esquerda e de sua tradicional marca eleitoral limitada em torno de 30% de votos.

Segundo Miriam Leitão acaba de afirmar no telejornal Bom Dia Brasil, Alencar construiu um dos maiores impérios empresariais nacionais, sendo sua famíla uma das mais ricas do Brasil. Outros também comentam das críticas que Alencar fazia contra a política econômica de juros altos fixados pelo Banco Central, o que demonstrava independência de opinião em relação ao próprio então presidente Lula.

O que deixaram de mencionar deste "quase santo" Alencar é um pedido judicial de reconhecimento de paternidade feito pela professora aposentada de 55 anos Rosemary de Morais. Alencar teria tido um caso com a mãe de Rosemary, na década de 50. Este pedido tramita há quase dez anos e Alencar sempre se negou a ser submetido a exames de DNA para verificar a procedência, ou não, do pedido de Rosemary.

Certa vez Alencar chegou a afirmar que não cederia à chantagem do pedido de exame. Atitude feia e condenável. Não sei se Alencar era realmente pai de Rosemary, mas isto espero que a Justiça se encarregue de esclarecer, e logo. O que mancha a biografia de Alencar é sua conduta machista e desrespeitosa de resistir processualmente contra algo que por si tem finalidade de justiça - reconhecimento de paternidade. Se Alencar não é pai, conforme alegou, não haveria problema algum em fazer exame de DNA.

Pelé também tem esta mácula em sua história, a ponto de uma proposta de homenagem com a nomeação de cidadão honorário brasiliense ao rei ter sido rejeitada pela Camara Distrital em razão desta mesma resistência. Lula é pai de Lurian e nunca negou este fato, nunca deixou de pagar pensão nem de reconhecer seu neto.

Lamento a morte de José de Alencar, como a de todos os brasileiros que são vitimados pelo cancer. Lamento também que depois de quase 10 anos Rosemary não tenha ainda obtido uma resposta do Judiciário sobre seu pedido de reconhecimento de parternidade de José Alencar. 

  

segunda-feira, 21 de março de 2011

Igreja Católica cadastra vítimas de pedofilia na Alemanha

Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!

Saiu publicado em vários lugares, inclusive no site da Veja, abaixo reproduzido,  (clique aqui para ler a matéria), notícia sobre a Igreja Católica na Alemanha, que indenizará vítimas de abusos sexuais praticados por padres. Toda a minha formação deu-se em colegio de padres e freiras. Durante a adolescência e juventude participei de grupos de comunidades e até o início da militância política, esta também ocorreu através de grupos ligados à Teologia da Libertação.

Criticar a Igreja é também criticar a minha história e minhas convicções religiosas. Porém, eu não abro mão da coerência e da verdade na condução da minha vida. Espero um dia poder ver a Igreja Católica reconher as uniões entre pessoas do mesmo sexo, e respeitá-las.

Por enquanto, fico a denunciar as violaçõe de direitos humanos patrocinadas e institucionalizadas por esta instituição.

Indenizações chegam a 5.000 euros, apenas 1.500 a mais que um salário médio


A Igreja Católica começa a receber nesta quinta-feira, na Alemanha, pedidos de reparação por parte de vítimas de abusos sexuais quando crianças. As indenizações pelos crimes cometidos por membros do clero chegarão a 5.000 euros (11.500 reais) por pessoa. A Igreja se oferece a pagar também 50 sessões de terapia individual ou 25 de terapia de casais e criou um fundo de prevenção à pedofilia no valor de 1,15 bilhão de reais.

Possíveis beneficiários, porém, consideraram as ofertas uma ofensa - acham os valores baixos demais. O valor oferecido como indenização pela igreja católica supera em apenas 1.500 euros o valor do salário médio na Alemanha. Para representantes da organização Eckiger Tisch, que reúne vítimas de abusos cometidos em instituições jesuítas, compensar com um mês de salário danos que duram uma vida é uma proposta "desonesta".

As medidas colocam em prática as decisões tomadas na semana passada pelas Confederações dos Bispos e das Ordens Religiosas da Alemanha frente à lentidão do grupo de trabalho do governo em chegar a um acordo sobre o assunto. O principal foco das compensações são os casos que já não podem ser julgados pela Justiça porque já estão prescritos.

O grupo de trabalho, formado em março do ano passado, é composto por representantes de três ministérios alemães que, com membros da Igreja e de entidades civis, buscam maneiras de prevenir casos de pedofilia e compensar suas vítimas. Seus debates incluem abusos dentro ou fora do âmbito religioso.

sexta-feira, 18 de março de 2011

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ) APOSENTA MAIS UM DESEMBARGADOR

Saiu no site Última Instância de hoje, sexta feira, 18.03, uma notícia sobre a aposentadoria compulsória aplicada ao Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3a. Região (Minas Gerais), Antonio Fernando Guimarães.

Segundo a notícia que segue abaixo reproduzida, (clique aqui se quiser ler diretamente no site) o desembargador é acusado de receber favores do escritório de advocacia Vilhena & Vilhena, em troca de decisões favoráveis aos clientes do escritório.

qualquer semelhança é mera coincidência

O Ministério Público do Trabalho fez uma primeira denúncia à Corregedoria do Tribunal mas o caso foi arquivado. Então nova denúncia foi apresentada ao CNJ. A exemplo dos demais, Guimarães será aposentado com vencimentos. Ou seja, o cara faz algo errado (muito errado), é afastado, mas continua ganhando salário. SALÁRIO DE JUIZ PAGO PELO DINHEIRO DO CONTRIBUINTE, QUE SOMOS NÓS, OS IDIOTAS QUE ESTÃO LENDO ESTA NOTÍCIA (foto ao lado). 

TUDO ISTO É LEGAL. TÁ NA LEI.

Estou a procura de uma condenação destas. Não trabalha, ganha, e não é penalizado.
Vejam que coisa interessante: o cara morava num apartamento de 380 metros quadrados, que vale um milhão de dólares e pagava um aluguel de R$ 200,00. O dono do apartamento é filho do dono do escritório. Segundo levantamento, 81% dos casos do escritório que eram julgados pelo desembargador tinham resultado favorável aos clientes.

E no final, ainda, a Corregedora Nacional, Eliana Calmon, diz que a influência dos escritórios de advocacia nos tribunais é um câncer. Será que os juízes e desembargadores não teriam ao menos um pouquinho de culpa?

RELAÇÕES PERIGOSAS
CNJ aposenta desembargador acusado de favorecer escritório de advocacia

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aposentou compulsoriamente o desembargador Antônio Fernando Guimarães, do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG). Ele é acusado de receber favores do escritório de advocacia Vilhena & Vilhena, em troca de decisões favoráveis aos clientes do estabelecimento.

A aposentadoria compulsória, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, é a maior punição administrativa que pode ser dada a um magistrado, sem prejuízo das penas judiciais cabíveis.

A acusação foi feita pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) à Corregedoria do TRT, que acabou arquivando o processo. O MPT acionou, então, o CNJ, que aceitou investigar as alegações. Segundo as denúncias, Guimarães morava desde 2000 no apartamento pertencente ao filho do dono de escritório de advocacia, com 380 metros quadrados e avaliado em cerca de US$ 1 milhão, pagando apenas R$ 200 por mês de aluguel.

Segundo o relator do caso, José Adônis Callou de Araújo Sá, um levantamento feito com os processos julgados pelo magistrado mostra 81% de decisões favoráveis aos clientes do escritório Vilhena & Vilhena. Para a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, a influência dos escritórios de advocacia nos tribunais é um “câncer nacional”. Outro desembargador acusado na denúncia, Ricardo Antônio Mohallem, foi considerado inocente das acusações.