quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os velhos judeus de Higienópolis, o metrô para Auschwitz e Danilo Gentili, o politicamente fascista

O colunista da Folha Marcelo Coelho escreveu uma memorável matéria em 18.05.2011, sobre a imbecilidade de Danilo Gentili e de toda a estirpe de "artistas e intelectuais" como ele:  reacionários, direitistas e fascistoides. Ele fez uma piada de péssimo gosto, afirmando que os velhos judeus de higienópolis não querem o metrô por lá pois temem que ele os leve para Auschwitz. Vale a pena ser lida, Segue abaixo na íntegra. clique aqui para ler a matéria no site da Folha. 

Se antes eu já não gostava deste sujeito, agora então não restam mais dúvidas. Faltam lhe talento e sensibilidade, sobra lhe boçalidade. Para quem não se recorda Gentili já andou falando merda outras vezes sobre gays e negros. Disse que negro que tem orgulho de ser negro é burro e comparou jogadores de futebol negros a macacos, que quando melhoram de vida casam com loiras. “King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?”


Este tipo de "jornalista/humorista/apresentador de televisão/crítico" acha que nasceu com o dom de falar coisas engraçadas e inteligentes ao mesmo tempo. Mas, a gente percebe logo de cara que ele é um embuste e não consegue enganar ninguém se escondendo neste jeito truqueiro de "politicamente incorreto".

Este cara deveria pegar o trem dos desempregados, isto sim.
Danilo  Gentili, o "artista"


   Judeus prisioneiros em Auschwitz



Politicamente fascista

MARCELO COELHO
COLUNISTA DA FOLHA

O comediante Danilo Gentili pediu desculpas pela piada antissemita que divulgou no Twitter. A saber, a de que os velhos de Higienópolis temem o metrô no bairro porque "a última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz".

Aceitar suas desculpas pode ser fácil ou difícil, conforme a disposição de cada um. O difícil é imaginar que, com isso, ele venha a dizer menos cretinices no futuro.

Não aguentei mais do que alguns minutos do programa "CQC", na TV Bandeirantes, do qual é ele uma das estrelas mais festejadas. Mas há um vídeo no YouTube, reproduzindo uma apresentação em Brasília do seu show "Politicamente Incorreto", em outubro de 2010.

Dá para desculpar muita coisa, mas não a falta de graça. O nome oficial do Palácio do Planalto é Palácio dos Despachos, diz ele. "Deve ser por isso que tem tanto encosto lá." Quem o construiu foi Oscar Niemeyer, continua o humorista. E construiu muitas outras coisas, como as pirâmides do Egito.

A plateia tenta rir, mas só fica feliz mesmo quando ouve que Lula é cachaceiro, ou que (rá, rá) o nome real de Sarney é Ribamar. Prossegue citando os políticos que Sarney apoiou; encerra a lista dizendo que ele só não apoiou o próprio câncer porque "o câncer era benigno".

Os aplausos e risadas, pode-se acreditar, vêm menos da qualidade das piadas e mais da vontade de manifestação política do público. Detestam-se, com razão, os abusos dos congressistas brasileiros. Só por isso, imagino, alguém ri quando Gentili diz preferir que a capital do país ficasse no Rio: "Lá pelo menos tem bala perdida para acertar deputado".

Melhor parar antes que eu fique sem respiração de tanto rir. Como se vê, em todo caso, o título do show não é bem o que parece. "Politicamente incorreto", no caso, faz referência às coisas erradas feitas pelos políticos, mais do que ao que há de chocante em piadas sobre negros ou homossexuais.

A questão é que o rótulo vende. Ser "politicamente incorreto", no Brasil de hoje, é motivo de orgulho. Todo pateta com pretensões à originalidade e à ironia toma a iniciativa de se dizer "incorreto" --e com isso se vê autorizado a abrir seu destampatório contra as mulheres, os gays, os negros, os índios e quem mais ele conseguir.

Não nego que o "politicamente correto", em suas versões mais extremadas, seja uma interdição ao pensamento, uma polícia ideológica.

Mas o "politicamente incorreto", em sua suposta heresia, na maior parte das vezes não passa de banalidade e estupidez.

Reproduz preconceitos antiquíssimos como se fossem novidades cintilantes. "Mulheres são burras!" "Ser contra a guerra é viadagem!" "Polícia tem de dar porrada!" "Bolsa Família serve para engordar vagabundo!" "Nordestino é atrasado!" "Criança só endireita no couro!"

Diz ou escreve tudo isso, e não disfarça um sorrisinho: "Viram como sou inteligente?".

"Como sou verdadeiro?" "Como sou corajoso?" "Como sou trágico?" "Como sou politicamente incorreto?"

O problema é que "politicamente incorreto", na verdade, é um rótulo enganoso. Quem diz essas coisas não é, para falar com todas as letras, "politicamente incorreto". Quem diz essas coisas é politicamente fascista.

Só que a palavra "fascista", hoje em dia, virou um termo... politicamente incorreto. Chegamos a um paradoxo, a uma contradição.

O rótulo "politicamente incorreto" acaba sendo uma forma eufemística, bem-educada e aceitável (isto é, "politicamente correta") de se dizer reacionário, direitista, fascistoide.

A babaquice, claro, não é monopólio da direita nem da esquerda. Foi a partir de uma perspectiva "de esquerda" que Danilo Gentili resolveu criticar "os velhos de Higienópolis" que não querem metrô perto de casa.

Uma ou outra manifestação de preconceito contra "gente diferenciada", destacada no jornal, alimentou a fantasia mais cara à elite brasileira: a de que "elite" são os outros, não nós mesmos. Para limpar a própria imagem, nada melhor do que culpar nossos vizinhos.

Os vizinhos judeus, por exemplo. É este um dos mecanismos, e não o vagão de um metrô, que ajudam a levar até Auschwitz.

5 comentários:

Anônimo disse...

Excelente. Parabens.

Anônimo disse...

Viva e deixe viver !
Cada um faz o que quer.
Ele faz o humor da forma que quiser.

Eduardo Piza disse...

Se cada um faz o que quer, com esta premissa, fica instituída a barbárie.

Israel-Palestine disse...

Politicamente incorreto?! Tá bom! Ele só quer ficar liberado prá falar todas as besteiras que acha que pode.

Eduardo Piza disse...

Não é politicamente incorreto somente. É politicamente fascista. Quem fala todas as besteiras que acha que pode, corre o risco de ir para cadeia, perder emprego, pagar indenização, etc.