Um blog é um blog. A gente escreve o que quer que os outros leiam e saibam da gente. Talvez seja um jeito disfarçado de deixar a janela aberta, para que algum vizinho curioso fique espiando. Dê uma olhadinha de vez em quando.... será sempre bem-vindo. Não alimente os animais, e nem toque nas peças em exposição, por favor.
sábado, 23 de agosto de 2014
Luciana Genro responde sobre homofobia e fundamentalismo religioso
De fato, ela tem uma visão clara sobre homofobia e o mal social que ela representa, o que a diferencia dos outros candidatos. Lamentavelmente não se faz escolha pelo candidato ou candidata tão somente pela sua opinião e empenho para erradicar a violência homofóbica. Se, do contrário fosse, certamente eu votaria nela.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
O meu primeiro bullying. Colégio Meninópolis. De vítima a algoz: herança maldita.
Quando eu tinha 7 anos de idade, no ano de 1968 - para mim o ano que ainda não terminou - aprendi na prática o que era bullying, ao entrar no Colégio Meninópolis. Escola particular, católica, exclusiva para meninos e dirigida por padres da Congregação Pime, localizada no bairro paulistano do Brooklin, zona sul de São Paulo. Na minha visão de criança os padres do Pime eram grosseiros, falavam alto, e com sotaque de italiano ininteligível. Eram arrogantes, severos e sempre dispostos a repreender gratuitamente, para jamais perder a autoridade. O que me chamava a atenção é que jamais os via sorrindo, exceto quando estavam na presença dos pais de alunos, o que me passava a impressão de serem dissimulados.
Ao contrário do pré-primário que cursei no ano anterior, no Colégio Jesus Maria José, onde tudo era um verdadeiro Jardim da Infância, os anos posteriores foram tormentosos e violentos, ameaçadores e sombrios, que me deixaram marcas indeléveis e fantasmas que até hoje me visitam, apesar de eu já tê-los expulsado várias vezes de minhas memórias em infindas sessões de terapia.
Não consigo entender como há pessoas que hoje ainda alimentam blogs, sites, listas de conversação e perfis em redes sociais com lembranças e saudosismo dos tempos de infância e adolescência no Meninópolis. Acho que alguém se esqueceu de me avisar que existia um lado bom naqueles anos e naquele lugar. Eu faltei na aula sobre este assunto, ou o meu pai pagou somente a parcela standard, relativa ao lado básico do ensino fundamental da época, que era um atraso.
O bom do curso, o filet mignon, aquilo que hoje meus antigos colegas sentem saudades e motivos para celebrar nos seus blogs, isto tudo deixaram de me mostrar. Não guardo saudades, nem boas recordações de um único amigo. Nada. O dia que o Meninópolis foi entregue para a administração da Arquidiocese de Santo Amaro, depois de mais de 30 anos que saí de lá, eu festejei a notícia do fracasso do empreendimento empresarial e educativo da Congregação Pime. Posteriormente, no dia que ele fechou em definitivo, eu constatei que eu absolutamente dali era um sobrevivente. Que, apesar do Meninópolis, dos seus padres e de suas professoras, eu havia conseguido sobreviver com alguma sanidade mental e emocional.
Lembro me bem de todas as minhas professoras do curso primário, desde a dona Setuko, do primeiro ano, passando pela dona Pérola, dona Aurea e finalmente dona Mercedes. Escrevi e reescrevi este parágrafo pelo menos umas dez vezes, e a cada uma delas eu qualificava estas professoras com os piores predicados. Decidi por fim e por cautela simplesmente mencionar seus nomes. Estou certo que algumas já se foram, senão todas, mas continuaram habitando em minhas memórias as piores das lembranças. Nunca me senti à vontade, nem feliz, nem confortável, nem porra nenhuma naquele colégio, nem com aquelas professoras. Infância sofrida, triste e oprimida.
Naquele tempo eu não tinha noção de que era gay, que tinha desejo por outros do mesmo gênero, ou mesmo que a vida poderia ser melhor do que eu até então experimentara no convívio com coleguinhas, professoras e padres. Por outro lado, tinha também a limitação dos meus pais em não questionar nem cobrar dos padres e do sistema educacional um tratamento no mínimo justo e ético. Para eles, se havia problema, este era causado por mim e não pela escola e seus educadores. Tenho hoje a certeza que eles não tinham a noção do que se passara comigo durante aquele período.
Acho que se meus pais ao menos uma vez tivessem me pego pela mão, ido até a escola e apontado o dedo no nariz da orientadora pedagógica ou da secretária da escola, ou do Padre Diretor, para lhes fazer reclamação dos maus tratos a que eu cotidianamente era submetido ou de como era ruim (para falar o mínimo e não perder a compostura) a pedagogia que me era aplicada por aquelas professoras despreparadas, eu certamente seria outra pessoa. Seria mais feliz.
Fui educado com a ideia de que professores e pais não erram e, se erram, mesmo assim não podem ser questionados. Questionar é desrespeitar sua autoridade.
Puta merda, fica difícil ser uma pessoa normal, com auto estima, com garra para viver, com vontade de ganhar dinheiro, com coragem de vencer na vida, se já enfiam na nossa cabecinha, desde pequenos, que somos errados até que provemos o contrário. Isto me lembra o papa João Paulo II, hoje equivocadamente canonizado, que disse que a homossexualidade é intrinsecamente má. Daí, não tem escapatória, os gays (LGBT) estão fadados ao fracasso da vida, segundo o infalível e santo papa. Nossa, só de lembrar do santo me dá arrepios.
Puta merda, fica difícil ser uma pessoa normal, com auto estima, com garra para viver, com vontade de ganhar dinheiro, com coragem de vencer na vida, se já enfiam na nossa cabecinha, desde pequenos, que somos errados até que provemos o contrário. Isto me lembra o papa João Paulo II, hoje equivocadamente canonizado, que disse que a homossexualidade é intrinsecamente má. Daí, não tem escapatória, os gays (LGBT) estão fadados ao fracasso da vida, segundo o infalível e santo papa. Nossa, só de lembrar do santo me dá arrepios.
Se eu fosse percebido e ouvido pelas pessoas daquela escola, eu teria aprendido mais cedo que a felicidade faz parte do dia a dia, que reivindicá-la é algo natural e normal e que reagir contra a opressão não é ato de revolta e explosão, as quais só ocorrem depois de muito sofrimento represado. Enfim, que todos as pessoas têm direito a reivindicar para obter felicidade.
Tudo ilusão e sonho da minha parte. Aguentei o pior dos tempos, pela bosta daquela escola, violenta e despreparada. Ainda bem que o Meninópolis fechou, e espero que tenha fechado para sempre!
Mas, o pior mesmo foi quando a vítima se transformou em algoz. E, foi o que aconteceu comigo. Eu passei a praticar com desenvoltura o mesmo bullying que fora vítima, contra meus colegas mais frágeis, como uma forma de sobreviver e superar as próprias opressões que sofria. A consagração da formação do caráter distorcido, o sucesso da educação recebida. Recordo-me de Fernando, um menino meigo e bondoso, que era o meu alvo predileto, a quem eu exercia toda a sorte de agressão e constrangimento verbal. E não havia razão específica, mas pelo simples fato de saber que ele era mais frágil, sensível e vulnerável. Havia um outro também, Carlos, que tinha uma deficiência congênita num dos olhos, que era menor que o outro. E eu, sempre que o via, imitava-o, franzindo um dos lados do rosto.
Ainda hoje vivo com ressentimentos pelas coisas que fiz e pelas coisas que fizeram comigo. Anos depois encontrei Carlos no Fórum. Eu bem que quis me aproximar e falar com ele, mas não tive chance, ele simplesmente fingiu que não me conhecia. Fez ele muito bem.
Não é à toa que o desafio pela igualdade de direitos e respeito à dignidade da pessoa humana são assuntos tão caros para mim, que os tomo como uma cruzada de pleno século XXI.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Erika Kokay é a nossa candidata. Ou ela ou mais um período de trevas.
Jair Bolsonaro quer ser o sucessor de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal.
Você concorda?
Pessoal, chegou a hora desta gente bronzeada mostrar seu valor para impedir esta catástrofe.
Prestem bem atenção e sigam as nossas dicas caso não queiram deixar que o Deputado Jair Bolsonaro - aquele que disse que seus filhos receberam uma boa educação e não andavam com pessoas do convívio de Preta Gil - seja eleito e assuma a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, que até poucos dias era exercida pelo Deputado Marco Feliciano - aquele que disse que os africanos descendiam de Noé, e que era uma geração amaldiçoado.
Logo, a alternativa é colocar na presidência da Comissão a Deputada Erika Kokay (PT/DF) nome de consenso que tem recebido o apoio de vários deputados, inclusive de outros partidos. Os movimentos sociais de defesa dos direitos humanos estão também empenhados na vitória de Erika Kokay - e na derrota de Jair Bolsonaro, deputado que não se cansa de elogiar a ditadura militar e de hostilizar e discriminar os LGBT.
Para tanto, teclados e monitores à mão para copiar e colar os endereços eletrônicos dos deputados e deputadas federais. Temos que encher as caixas postais destes parlamentares exigindo que a Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias seja do Partido dos Trabalhadores e, assim, escolhida Erika Kokay para ocupar este cargo.
1) Texto: Para facilitar o trabalho, sugerimos o seguinte texto a ser enviado na mensagem:
"Cidade, data
Exmo(a) Sr. (a) Deputado(a) Federal,
Venho pela presente solicitar o empenho, o compromisso e a participação efetiva de Vossa Excelência para que a Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal nunca mais seja ocupada por pessoas que propugnam exatamente o contrário do que a história de luta pelos Direitos Humanos tem alcançado em favor da evolução de nossa civilização.
Deste modo, solicito a Vossa Excelência que assegure com seu voto em favor do Partido dos Trabalhadores, e em especial da Deputada Federal Erika Kokay, a Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Sua contribuição é imprescindível e contará com o acompanhamento, a pressão e o controle social exercido pelos grupos e defensores de direitos humanos.
Atenciosamente
nome"
2) Eis o link com os endereços eletrônicos dos deputados e deputadas federais:
https://www.google.ch/url?sa=t&rct=j&q&esrc=s&source=web&cd=6&cad=rja&ved=0CE4QFjAF&url=http%3A%2F%2Fwww.portalpopulardacopa.org.br%2Findex.php%3Foption%3Dcom_k2%26view%3Ditem%26task%3Ddownload%26id%3D4&ei=RcX0UvSEEImGhQfMlICADw&usg=AFQjCNFjoHQKKlWXpelxM6oX9CkEYeeohg&sig2=f7gU83HG9XOqbMyM_787WQ
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
A homofobia em 2013 prestando contas.
Com as mãos sujas de sangue e o olhar dissimulado.
Tenho visto nos últimos meses uns boletins com prestação de contas do trabalho que vem sendo desenvolvido por alguns gestores públicos que tratam da promoção do direito e da cidadania de LGBT.
Seria muito boa esta prestação de contas se o conteúdo fosse melhor do que o que vem sendo apresentado. Vejo alguns relatos com o seguinte teor: "Palestra realizada pela servidora tal na cidade de tal, sobre conceitos e princípios de diversidade sexual." "Abertura da Semana da Diversidade Sexual na cidade de tal", "Curso a distância para servidores públicos sobre diversidade sexual" e la nave va.....
Para mim, tudo que é feito neste sentido é perfumaria, por mais boa vontade - e até mesmo com má vontade - que se tenha para realizar um trabalho desta envergadura. Num país onde são cometidos 44% dos crimes de homicídio contra LGBT no mundo por razões de homofobia as prioridades deveriam ser: a segurança pública, a prevenção, o combate, o policiamento ostensivo, o acolhimento de desabrigados e abandonados pelos próprios familiares, a redução da violência policial mediante repressão interna da corporação, a redução da impunidade e la nave va.....
E isto requer grana, gente especializada e com vontade de pôr a mão na massa. Este problema não é enfrentado com ativismo público de gabinete nem com discurso romântico de união estável.
Falta seriedade para enfrentar e resolver o problema da violência homofóbica. Não há lei que criminaliza a homofobia no Brasil e o Congresso não quer aprová-la, por orientação do Poder Executivo Federal que tem rabo preso com os evangélicos papa niqueis. Em São Paulo - estado onde moro - não há política de segurança pública voltada para prevenir nem para reduzir a violência homofóbica.
Falta seriedade para enfrentar e resolver o problema da violência homofóbica. Não há lei que criminaliza a homofobia no Brasil e o Congresso não quer aprová-la, por orientação do Poder Executivo Federal que tem rabo preso com os evangélicos papa niqueis. Em São Paulo - estado onde moro - não há política de segurança pública voltada para prevenir nem para reduzir a violência homofóbica.
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| https://www.facebook.com/photo.php?fbid=488846887898575&set=a.367019576747974.1073741827.100003198058432&type=1&relevant_count=1 |
Mas não é só lei que está faltando. Falta polícia com vontade de reprimir, investigar e prender os homofóbicos, assim como falta promotor para denunciar e juiz para condenar e colocar na prisão. Falta um kit anti homofobia, vídeo de prevenção de HIV/AIDS para gays no carnaval e tudo o mais que o governo Dilma anda boicotando.
Aí surge, como sempre, o contraponto da história pseudo modernosa da redução do direito penal, transformando cadeia em cesta básica para orfanato. Isto é mais oportunismo político que outra coisa. Pergunte para os negros e para os judeus se eles querem mudar a lei CAO e transformar pena de prisão por racismo em prestação de serviços à comunidade. Pergunte às mulheres organizadas se elas querem alterar a Lei Maria da Penha.
Aí surge, como sempre, o contraponto da história pseudo modernosa da redução do direito penal, transformando cadeia em cesta básica para orfanato. Isto é mais oportunismo político que outra coisa. Pergunte para os negros e para os judeus se eles querem mudar a lei CAO e transformar pena de prisão por racismo em prestação de serviços à comunidade. Pergunte às mulheres organizadas se elas querem alterar a Lei Maria da Penha.
Então, o que se faz é a tal perfumaria: curso para isto, curso para aquilo, palestra de capacitação, atendimento jurídico para propor processo administrativo para multar empresários que não atendem direito os clientes LGBT, e la nave va... Tapar o sol com a peneira.
Agora, no apagar de 2013, fiz uma pequena pesquisa dos crimes reportados no site QUEM A HOMOTRANSFOBIA MATOU HOJE sobre mortes de LGBT no Estado de São Paulo.
Considerando que o levantamento existente no site está sujeito à atualização, julgo que se trata de um levantamento precário e incompleto. Isto quer dizer que ainda vai ter mais cadáveres desfilando neste relatório. Presto aqui uma homenagem às suas memórias, pois foram vítimas da barbárie do fundamentalismo religioso e do plano de se manter no poder a custa de seus sacrifícios.
Considerando que o levantamento existente no site está sujeito à atualização, julgo que se trata de um levantamento precário e incompleto. Isto quer dizer que ainda vai ter mais cadáveres desfilando neste relatório. Presto aqui uma homenagem às suas memórias, pois foram vítimas da barbárie do fundamentalismo religioso e do plano de se manter no poder a custa de seus sacrifícios.
Eis a prestação de contas da Homofobia para os parlamentares do governo e da oposição, para os evangélicos e outras denominações fundamentalistas, para os homo e heterossexuais que fingem que este problema não é deles e que não estão nem aí com a hora do Brasil. Todos estão com as mãos sujas de sangue e com o olhar dissimulado.
Gostaria que os gestores públicos informassem ao menos qual o andamento que foi dado a estes casos junto a polícia civil e no judiciário. Acho que seria uma boa prova que ao menos o perfume é de qualidade.
Gostaria que os gestores públicos informassem ao menos qual o andamento que foi dado a estes casos junto a polícia civil e no judiciário. Acho que seria uma boa prova que ao menos o perfume é de qualidade.
FEVEREIRO DE 2013
1) Layla – Trans – Capital - SP
2) F E S – Trans – Cabreúva – SP
3) Valdir José Martins – Gay – Marília –
SP
http://homofobiamata.wordpress.com/2013/02/18/valdir-jose-martins-gay-55-anos-facadas-sp-marilia/ 18.02.2013
ABRIL DE 2013
4) Adriano Robson de Bueno – Gay –
Piracicaba – SP
5) Trans – São José do Rio Preto – SP
http://homofobiamata.wordpress.com/2013/04/28/trans-36-anos-facadas-sp-sao-jose-do-rio-preto/
28.04.2013
JUNHO DE 2013
6) Dany – Trans – Campo Limpo Paulista -
SP
AGOSTO DE 2013
7) Leonardo Stantelu – Gay – Capital
http://homofobiamata.wordpress.com/2013/08/27/leonardo-stanley-gay-23-anos-suicidio-sp-sao-paulo/
27.08.2013
SETEMBRO DE 2013
8) Angelo Boin Netto – Gay – Presidente Prudente
- SP
http://homofobiamata.wordpress.com/2013/10/17/angelo-boin-neto-gay-52-anos-sp-presidente-prudente/
17.10.2013
DEZEMBRO DE 2013
9) Gabriel Spanic – Trans – Joaquim Egídio
– SP
http://homofobiamata.wordpress.com/2013/12/10/nao-identificada-trans-tiros-sp-joaquim-egidio/
10.12.2013
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
A CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA SOFRE DURO GOLPE NO APAGAR DE 2013.
Bichas burras se fuderam e vão continuar morrendo.
Para começar bem 2014, o fundamentalismo religioso e o conservadorismo de direita e de esquerda higienizaram o Senado enterrando de vez o PLC 122/06 para facilitar as eleições que virão.
Para começar bem 2014, o fundamentalismo religioso e o conservadorismo de direita e de esquerda higienizaram o Senado enterrando de vez o PLC 122/06 para facilitar as eleições que virão.
Anteontem, dia 17 de dezembro, a Comissão de Direitos Humanos do Senado votou pelo apensamento do PLC 122 ao projeto de alteração do Código Penal. Como já escrevi anteriormente, dia 17 de dezembro é um dia ruim para mim, mas como dizem as bibas, abafa o caso (clique aqui se você for muito curioso).
O que isto quer dizer?
Que o projeto de lei que criminaliza a homofobia deixou de tramitar sozinho, como vinha fazendo desde sua apresentação, há dez anos. Ele agora está apensado ao projeto de reforma do Código Penal, que salvo engano não será votado a curto ou médio prazo. Em outras palavras, ele será esquecido, arquivado, ignorado. E com ele irá para o esquecimento um grande problema que assola a comunidade LGBT que é a homofobia: a violência física e moral, a desagregação familiar, os assassinatos, os suicídios, o preconceito e a discriminação.
É sempre bom lembrar que em 2012 foram assassinadas 310 pessoas por motivação homofóbica, segundo dados governamentais.
Pela internet, e fora dela, começou uma avalanche de acusações mútuas de militantes do movimento LGBT, pró e contra o governo. Dilma Roussef e o PT são os grandes vilões pelo arquivamento do PLC 122/06, para os que estão associados a partidos políticos de oposição, como o PSOL, PSB, Rede e até o PSDB. Afirmam que se Dilma quisesse o PLC 122 seria votado e aprovado, mas como ela não quer, pois tem compromissos com os evangélicos fundamentalistas que compõem sua base de governo, então nada se faz pelos direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.
Eu também acho que isto poderia acontecer, se houvesse vontade política, mas nunca aconteceu antes, quando Lula era presidente em dois mandatos, assim como não aconteceu quando FHC era presidente em dois mandatos. Dá para imaginar o que vai acontecer no próximo mandato, se Dilminha for reeleita?
Mas eu não faço campanha contra ela não. O Serra é um amigão do Malafaia e sua campanha em 2010 provocou um estrago muito grande para os movimentos sociais de LGBT e de mulheres. Outra opção seria Marina Silva, mas ela é uma evangélica explícita que até ontem era contra o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, sem saber bem o que era isto. Alguém acredita em Aécio? Vamos conversar, né?
O fato é que a agenda LGBT é igualzinha à agenda do aborto das feministas, nenhum político quer pôr a mão, pois tem medo de não ser reeleito. E caem na chantagem dos papa níqueis fundamentalistas.
O resultado da votação da Comissão de Direitos Humanos do Senado só confirma um fato: o movimento LGBT não pode contar com os partidos políticos, ele tem que pressionar, e pressionar e pressionar. Ir às ruas, fazer manifestação, expor os homofóbicos e denunciar os ladrões homofóbicos. Que junho passado nos sirva de inspiração.
Os senadores Aloísio Nunes do PSDB de São Paulo e Lindberg Farias do PT do Rio de Janeiro não são evangélicos, mas são primo irmãos destes daí. Os políticos evangélicos fundamentalistas, que atuam contra os LGBT tem em comum uma coisa com os dois senadores: envolvimento com denúncias de corrupção.
Lindberg Farias coleciona ações judiciais de improbidade administrativa e compra de sentença judicial. Aloisio tem seu nome envolvido no propinoduto tucano que roubou mais de um bilhão dos cofres do governos do Estado de São Paulo e em 2010 foi acusado de envolvimento do caso Paulo Preto.
Já que não dá para convencer estes políticos de que direitos sexuais são direitos humanos e ninguém pode sofrer por ser LGBT, então o movimento LGBT precisa abraçar a causa da moralidade pública e expor a roubalheira que evangélicos fundamentalistas, e seus similares genéricos como Aloisio Nunes e Lindberg Farias estão envolvidos. Assim, mataremos dois abutres com uma cajadada só.
Higienização por higienização, não basta a falácia da homoafetividade conservadora e heteronormativa. Temos também agora que nos levantar contra a corrupção, para assim varrer os homofóbicos do Congresso Nacional.
Por fim, para de vez acabar com a xingação mútua dentro do movimento LGBT, segue um levantamento sobre os votos e os partidos políticos na sessão da Comissão de Direitos Humanos do Senado que enterrou o PLC 122. Tanto a direita, quanto a esquerda merecem o nosso repúdio.
Este
levantamento é simples e objetivo. Visa demonstrar
a responsabilidade dos partidos políticos com a causa da criminalização da
homofobia mediante o número de votos pró e contra a apensação do PL 122/06. Importante
notar que partidos da oposição como PSDB e DEM não tiveram um único voto
contrário à apensação, o que confirma que o conservadorismo e o fundamentalismo
religioso influenciam as escolhas e ações da oposição.
Pela esquerda o PC do B, legenda de Toni Reis, absteve-se de votar contra a apensação, o que é também uma traição para a
comunidade LGBT. O óbvio
é que o movimento LGBT caminha sozinho e solitário, mas as lideranças ainda não se deram
conta disto, ou não querem fazê-lo.
PARTIDOS QUE VOTARAM
MAJORITARIAMENTE CONTRA A APENSAÇÃO
PT
– 4 votos contra a apensação, 1 voto a favor, 1 abstenção;
PSB
– 3 votos contra a apensação, 1 voto a favor;
PV
e PSOL – 1 voto cada partido contra a
apensação, nenhum voto a favor.
PARTIDOS QUE VOTARAM MAJORITARIAMENTE A FAVOR
DA APENSAÇÃO
PSDB
– 8 votos a favor da apensação, nenhum voto contra;
PMDB
– 5 votos a favor da apensação, 2 votos contra;
PR
– 4 votos a favor da apensação, 1 voto
contra;
DEM
– 2 votos a favor da apensação, nenhum voto contra;
PDT
e PTB – 2 votos cada partido a favor da apensação, nenhum voto contra;
PP,
PRB e PSD - 1 voto cada partido a favor da apensação, nenhum voto contra .
OUTROS CASOS
SENADOR CRISTOVAM
BUARQUE
sem partido votou a favor da apensação e
PC
do B – nenhum voto a favor ou contra a apensação, 1 abstenção.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Sonho americano? Conheça 10 fatos chocantes sobre os EUA
Foi publicada na Revista Forum desta semana uma matéria com o mesmo título acima (clique aqui) trazendo um rol de 10 fatos que contrariam a idéia tão propagada pelos próprios Estados Unidos de que são os grandes defensores das liberdades, a nação com melhor qualidade de vida no planeta e que nada é melhor do que o "american way of life".
Como se vê, a realidade se mostra outra. Para mim, o efeito mais dignificante é o de poder desmitificar e desmascarar e, ao mesmo tempo, acabar de vez com nosso atávico complexo de inferioridade. Eis os fatos sobre os EUA:
1. Maior população prisional do mundo;
2. 22% das crianças americanas vive abaixo do
limiar da pobreza;
3. Entre
1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países;
4. Os EUA são o único país da OCDE que não
oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade;
5. 125 norte-americanos morrem todos os dias por
não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde;
6.
Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só
entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas
contra sua vontade pelo governo norte-americano;
7.
Todos os imigrantes são obrigados a jurarem não ser comunistas para
poder viver nos EUA;
8.
O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil
dólares;
9.
Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez
norte-americanos, há nove armas de fogo;
10. Há mais norte-americanos que
acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin;
domingo, 8 de dezembro de 2013
Promotor público que não tem medo de skinheads agora enfrenta os trens descarrilados pela corrupção.
menu variado: de skinheads carecas do ABC a políticos tucanos.
A primeira vez que vi Marcelo Milani foi no Tribunal do Júri do Fórum da Barra Funda, em São Paulo. E isto lá vai para 11 anos, em 2002, quando assisti ao julgamento dos skinheads que lincharam e mataram Edson Neris em fevereiro de 2000, na Praça da República.
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| croqui do local do crime constante do laudo |
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| soco inglês usado para espancar Edson Neris |
Eu estava acompanhado de Beto de Jesus, então Presidente da Associação da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, e de alguns outros militantes do movimento LGBT. Milani foi simpático comigo ao ser apresentado e conversamos rapidamente sobre a movimentação da imprensa e o interessa da opinião pública no caso. Um sujeito bem tranquilo, bonachão e de fala mansa.
Mas, logo que começou a sessão de julgamento Milani transformou-se em outra pessoa. Falava alto e firme e exibia, uma após outra, as provas do crime aos jurados: soco inglês, porrete, botas com bico de ferro, fotos etc. Mostrava de maneira contundente as marcas da violência que haviam ficado no corpo de Edson Neris. Deixou claro que ele fora abordado de forma covarde e não teve nenhuma chance de esboçar qualquer reação. Milani vociferava contra os réus ali presentes, encarando-os e apontando o dedo em riste. Senti me representado por um membro do Ministério Público que buscava a condenação daqueles monstros covardes e canalhas. O juri condenou 8 dos réus que foram presos e cumpriram pena.
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| acusados pelo crime |
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| acusados pelo crime |
Numa segunda vez que o encontrei, novamente na companhia de Beto de Jesus, foi em situação totalmente diferente. Estava passeando na praia de Boracéia, em São Sebastião, e parei para almoçar num restaurante de beira de estrada. Marcelo Milani estava lá numa mesa ao lado. Tranquilo, de bermudas, sandálias, acompanhado de familiares, num mês de janeiro escaldante. Falamos de amenidades num encontro rápido, que nada lembrou o aguerrido promotor público, caçador de skinheads neonazistas assassinos.
O tempo passou e não tive mais notícias do promotor público.
Mas, recentemente, com o estouro do escândalo da formação de cartel pelas empresas que participam das obras do Metro de São Paulo, envolvendo políticos do PSDB de São Paulo, escândalo este que começou no governo de Mário Covas no final da década de 90 e chega até os dias de hoje, ressurge a figura de Marcelo Milani. Ele é o encarregado das investigações realizadas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo.
É certo que o Ministério Público de São Paulo tem recebido acusações de não ter dado importância e celeridade ao caso, cujos processos se arrastam há anos. Porém, graças às ações de órgãos federais, como o Cade e a Polícia Federal, novas luzes estão surgindo, para esclarecer o envolvimento de servidores públicos, empresários e, principalmente, políticos do PSDB de São Paulo. Nesta semana as autoridades da Polícia Federal fizeram declarações no sentido de que as investigações devem ser enviadas para o Supremo Tribunal Federal, uma vez que mencionam políticos com privilégio de foro.
O caso envolve as empresas Siemens, Alstom, Iesa, Bombardier, Tejofran, Temoinsa, TTrans e MPE, todas citadas na denúncia apresentada pela Siemens ao Cade.
Os políticos cujos nomes têm sido citados nos inquéritos, de acordo com o material divulgado pela imprensa, são o Senador Aloisio Nunes (PSDB SP) e o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS SP). Outra pessoa citada é o secretário estadual tucano José Anibal. Houve também o indiciamento do vereador igualmente tucano Andrea Matarazzo. Tem acusação aí para todo mundo neste ninho.
Marcelo Milani declarou recentemente que o governo estadual de São Paulo pagou mais para reformar trens velhos de 40 anos de uso, do que teria investido se comprasse trens zero quilometro. O superfaturamento teria alcançado mais de um bilhão de reais.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
REDUÇÃO DE 14% NOS CRIMES HOMOFÓBICOS NOS EUA SEGUNDO O FBI.
CRIMES DE ÓDIO CONTRA LGBT NOS EUA E NO BRASIL
Segundo notícia veiculada pelo
Boletim da Matthew Shepard Foundation (clique aqui) o
FBI divulgou esta semana estatísticas de crimes homofóbicos nos EUA em 2012.
Segue abaixo uma tradução livre do texto do boletim.
Embora o relatório registre
redução de 14% do número de crimes notificados com motivação na orientação
sexual da vítima em comparação com 2011,
a fundação adverte que há uma sub-notificação que a cada 3 crimes efetivamente ocorridos, somente 1 deles é notificado. Outra informação apurada é que 54% das vítimas é de gays.
A situação brasileira está muito aquém no combate e repressão à homofobia. Mal conseguimos organizar o movimento LGBT para que exerça pressão junto a parlamentares visando aprovação do PLC 122 que criminaliza os crimes de ódio. Muitas bichas continuam alienadas, batendo o cabelão na buatchy e, se bobear, com discurso conservador e discriminatório.
Os acordos políticos dos governos federal e locais privilegiam a concessão de poderes na administração pública, inclusive na execução de orçamento, para interesses de grupos conservadores de fundamentalistas religiosos que ostensivamente fazem campanha homofóbica e incitam a violência impunemente, sem falar no bacanal que é a distribuição de concessão de emissoras de TV e rádio para estes papa niqueis. O poder judiciário e o ministério público calam se diante deste abuso.
Além disso, o órgão responsável pela apuração e levantamento dos crimes homofóbicos não é um órgão concebido para esta atividade, que deve ser essencial e tecnicamente de segurança pública. Por mais esforço e boa vontade que tenham hoje a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e seu serviço de Disque 100, os índices indicativos produzidos são precários e os recursos são escassos. Vontade política não existe e Maria do Rosário está isolada no próprio governo. Quero ver quando ela sair, para concorrer às eleições no ano que vem, quem vai pegar o abacaxi.
A sociedade brasileira e em especial a comunidade jurídica está mais sensibilizada para a aceitação e aprovação do casamento monogâmico, heteronormativo e "homoafetivo" entre pessoas do mesmo sexo, típíco da classe média conservadora, do que para a redução dos assassinatos e outros crimes violentos contra LGBT por motivação homofóbica. Em 2011, por exemplo, o Brasil coleciona 310 vítimas fatais (clique aqui para ler o relatório da SDH).
E isto é só o começo. Ano que vem tem eleição, preparem-se para aquela vergonha de campanhas que usam o aborto, o casamento gay e a adoção de menores por casais do mesmo sexo para disseminar o ódio, o medo e o preconceito.
E isto é só o começo. Ano que vem tem eleição, preparem-se para aquela vergonha de campanhas que usam o aborto, o casamento gay e a adoção de menores por casais do mesmo sexo para disseminar o ódio, o medo e o preconceito.
"Crimes de Ódio
contra LGBT para baixo, mas não para fora.
O FBI divulgou
recentemente as estatísticas de crimes de ódio denunciados em 2012. Embora
tenha havido uma pequena redução no número de crimes, ainda 1.318 crimes motivados pela orientação
sexual da vítima foram relatados ao FBI por agências policiais locais.
Estes números representam uma redução de 14 % em crimes
motivados pela orientação sexual da vítima em comparação com aqueles
denunciados em 2011. Embora esta seja uma tendência positiva, temos que ter em
mente que um relatório do Departamento de Justiça sobre como relatar os crimes
de ódio estima que apenas um em cada três crimes de ódio é notificado à polícia.
O relatório do FBI mostra 6.718 crimes de ódio
voluntariamente notificados à agência por órgãos policiais, envolvendo um total
de 7.151 vítimas. A maioria (54 por cento) das 1.318 vítimas alvo era de
orientação sexual gay. Cerca de um terço dos casos foram ataques físicos, outro
terço eram intimidações e o terço restante eram vandalismo ou danos materiais.
O FBI alertou que as comparações ano -a- ano são difíceis ,
devido à alteração do número de órgãos policiais que participam a cada ano.
" É encorajador que em todos os momentos estes
relatórios anuais mostram uma diminuição da vitimização deliberada das pessoas
LGBT ", disse Jason Marsden , diretor-executivo da Fundação Matthew
Shepard.
"Infelizmente , a tendência de redução das estatísticas
não se traduz em paz de espírito para o elevado número de pessoas cada vez mais
aflitas que ainda são emocional, financeira ou fisicamente prejudicadas por
esses crimes sem sentido ", acrescentou . "As agências policiais de
todos os níveis estão progredindo na abordagem sensível e construtiva destes
incidentes, tratados caso a caso. O relatório de hoje deve servir para mostrar
não só o seu progresso, mas também a necessidade premente que continua a
motivá-lo."
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Cuidado com o fascismo dos religiosos fundamentalistas no Congresso Nacional. O Estado Laico corre perigo.
Não é de hoje que temos denunciado por aqui e pelo Facebook o iminente perigo de um avanço contra o estado de direito pelas forças conservadoras, religiosas fundamentalistas, a fim de que alcancem poder político (e também vantagem econômica), ocupando cargos e funções no governo brasileiro, ou contratações com o poder público.
Não é de hoje que temos denunciado por aqui e pelo Facebook o iminente perigo de um avanço contra o estado de direito pelas forças conservadoras, religiosas fundamentalistas, a fim de que alcancem poder político (e também vantagem econômica), ocupando cargos e funções no governo brasileiro, ou contratações com o poder público.
Se hoje a situação do reconhecimento dos direitos sexuais de LGBT e dos direitos reprodutivos de mulheres não avançou em nada no governo de Dilma Roussef, é por que este ritmo lento é a paga que ela tem que dar aos evangélicos fundamentalistas.
Marcelo Crivela, Magno Malta, Silas Malafaia, Marco Feliciano são alguns nomes que não podemos esquecer, pois são inimigos do movimento LGBT e das mulheres. Empresários da fé.
Marcelo Crivela, Magno Malta, Silas Malafaia, Marco Feliciano são alguns nomes que não podemos esquecer, pois são inimigos do movimento LGBT e das mulheres. Empresários da fé.
O incitamento à intolerância tem aumentado de maneira exponencial em todo o país e, com ele, os atos de violência e homicídio homofóbico, machismo, violência contra mulheres, agressões físicas e morais contra pessoas de outras profissões de fé e instituições religiosas de matriz africana.
Agora, Frei Betto faz uma importante advertência sobre o risco da fragilização do estado laico e do surgimento do fascismo, com o ovo da serpente que é a bancada evangélica no Congresso Nacional. O post publicado no Blog de Roldão Arruda (clique aqui) a seguir reproduzido traz as informações sobre as advertências do frade dominicano.
Frei Betto defende Estado
laico, critica bancada evangélica e lembra o “ovo da serpente”
O Brasil está assistindo ao avanço de partidos políticos que se ligam cada vez mais a segmentos religiosos, o que constitui ameaça ao pluralismo religioso e à democracia. O alerta foi feito pelo escritor e teólogo católico Frei Betto, que chegou comparar esse movimento, de matriz fundamentalista e ainda pouco percebido pela sociedade, ao surgimento do nazismo, na primeira metade do século passado.
“Estamos assistindo a certos segmentos
religiosos chocarem o ovo da serpente, expressão que vem do nazismo dos anos
30, na Alemanha: depois que a coisa esquentou é que muita gente se deu conta”,
disse o religioso, durante conferência no 9º Encontro Nacional Fé e
Política, realizado no final de semana, no campus da Universidade Católica de
Brasília (UCB).
“O Estado e os partidos não devem ter
religião, mas respeitar a diversidade do pluralismo religioso”, afirmou, diante
de quase duas mil lideranças católicas. “No Brasil, determinados segmentos
religiosos estão cada vez mais partidarizados. Existe no Congresso Nacional a
bancada evangélica. Não tenho nada contra os evangélicos, tenho contra essa
bancada.”
Na conferência, proferida no sábado e
denominada O Poder na Cultura do Bem Viver, o dominicano, autor de 53 livros,
foi enfático: “Precisamos abrir o olho porque está sendo chocado no Brasil o
poder fundamentalista de confessionalização da política. Isso vai dar no
fascismo.”
De acordo com informações publicadas
por Jaime C. Patias, no portal católico Pontifícias
Obras Missionárias, o teólogo e escritor disse que a maior
experiência de poder na tradição bíblica é a experiência de Jesus: “Quem
governa seja como aquele que serve. Esse é o maior testemunho de Jesus. O maior
ato de Jesus foi quando ele se ajoelha para lavar os pés dos seus discípulos.
Isso é o poder, colocar-se a serviço.”
Frei Betto tem vínculos históricas com
as comunidades eclesiais de base (CEBs) e contribuiu para o surgimento do PT –
partido do qual se afastou durante o primeiro mandato de Lula.
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