sexta-feira, 1 de julho de 2011

Casal homossexual adota cinco crianças em São Paulo

Foi publicada na Agência Estado clique aqui notícia de que um casal de gays acaba de obter na justiça autorização para adoção de cinco irmãos que viviam em um abrigo, duas menias de 4 e 10 anos e de três meninos, de 7,8 e 9 anos.

Este é um acontecimento raro, pois há muito preconceito contra adoção de crianças por casais homossexuais. Em especial os fundamentalistas religiosos acham que é melhor as crianças ficarem em abrigos, do que irem para um lar de gays ou lésbicas, pois correm o risco de se tornarem homossexuais, como seus pais.

Caros leitores e leitoras, vocês acreditam mesmo que estas crianças poderão virar homossexuais por que estão sendo adotadas por um casal gay?

Vocês acreditam que é melhor estas crianças continuarem vivendo em um abrigo do que irem para um lar onde vivem unidos dois gays há mais de 10 anos?

Até quando vamos ter que viver nas trevas da ignorância e do preconceito? Cada vez que escuto um argumento desses eu sinto vergonha alheia. Como podem falar bobagem de tal tamanho e não ficarem envergonhados?

Oxalá que acontecimentos como estes se tornem cada vez mais parte do cotidiano brasileiro, os menores abandonados agradecem... e os pais e mães gays também. 




Casal homossexual adota cinco crianças em São Paulo

Depois de três anos de espera, um casal homossexual de Itapetininga (SP) conseguiu na Justiça adotar de uma vez cinco irmãos com idade entre quatro e dez anos. As crianças, abandonadas pelos pais, viviam em um abrigo público municipal de Sumidouro (RJ). São duas meninas, com 4 e 10 anos de idade, e três meninos, com idades de 7, 8 e 9 anos. O casal Leandro e Miguel - os sobrenomes não são divulgados para preservar a identidade das crianças - está junto há mais de dez anos.

Desde que decidiu ter filhos adotivos, o casal passou a fazer contato com conselhos tutelares de várias cidades. Assim chegaram aos irmãos de Sumidouro. Quando houve o primeiro contato, há três anos, a quinta criança ainda não estava no abrigo. A diretora do Departamento de Proteção à Criança e ao Adolescente do município, Gilniceia da Silva Ramos, conta que os pais biológicos são vivos, mas têm problemas de alcoolismo e dependência química. Os três filhos mais velhos foram encaminhados ao abrigo pelo Conselho Tutelar, em 2002. "Fizemos quatro tentativas de reinserção na família, sem sucesso", disse.

Além da vulnerabilidade social, as crianças passaram a sofrer risco de violência física. Nas últimas duas vezes, os menores retornaram para o abrigo acompanhados dos irmãos mais novos. O quarto filho, por exemplo, foi internado com sete meses de idade. O processo de adoção correu no Fórum de Sumidouro. A Justiça local trocou informações com a de Itapetininga para avaliar se o casal tinha condições de manter as crianças. Leandro e Miguel foram considerados aptos para a adoção. Na audiência final, eles ficaram frente a frente com os pais biológicos, que abriram mão da guarda das crianças. No novo lar, os irmãos estão recebendo acompanhamento psicológico. Eles ganharam novos documentos com os sobrenomes dos pais adotivos.

Pela lei brasileira, o estado civil e a preferência sexual não são relevantes para autorizar ou não a adoção. Os pretendentes devem ter mais de 18 anos, ser pelo menos 16 anos mais velho que o adotado e comprovar a idoneidade moral. Também devem comprovar que possuem condição material de prover o sustento das crianças.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Walcyr Carrasco esculhamba com Myriam Rios.

Foi mesmo uma esculhambação geral. Walcyr chamou Myrian desde atriz ruim até burra.

Adorei. Ele escreveu em seu blog, (clique aqui) o que eu reproduzo abaixo.

Não acho que devamos gastar vela com defundo ruim, nem chutar cachorro morto, mas esta daí é uma deputada, apesar de baixa qualidade.

Então, que sirva de bom exemplo do tipo de pessoa que não deve ser eleita.

Vamos ao Walcyr Carrasco, ver ele desancar com a ex-Roberto Carlos:

MYRIAN RIOS: LAMENTÁVEL

Postado em 28/06/2011 às 00:17 por Walcyr Carrasco

Houve um tempo em que tudo era bonito. Eu via a Myrian Rios na televisão e achava simpática. Depois, casada com Roberto Carlos, me deixou uma boa imagem (eu sou fã do Roberto, confesso). Só a vi uma vez pessoalmente, nessa época. E me espantei com o tamanho do decote e a saia curta.

— Faltou pano, diria minha tia.

Nunca foi uma boa atriz. Para dizer sinceramente, era medíocre, pelo menos na minha opinião. Mas graciosa. A idade chegou, separou-se de Roberto, e os papéis escassearam. Ou ela abandonou a carreira. Ou as duas coisas aconteceram ao mesmo tempo.

Myrian Rios tornou-se deputada pelo Rio de Janeiro. E, agora, foi divulgado um discurso em que ela ataca a antidiscriminação aos gays. Myrian Rios falou contra a PEC 23/2007, segundo a qual seria discriminação a recusa a contratar um empregado por ser gay ou lésbica. Inclusive, misturou orientação sexual e pedofilia, dizendo que um funcionário gay poderia assediar seu filho ou uma babá lésbica, as meninas. Pura discriminação. Acaso acredita que um motorista heterossexual atacaria também suas filhas?

Eu tenho certeza de que ao longo de sua vida Myrian Rios conviveu com inúmeros homossexuais. Talvez ainda conviva. Provavelmente, agiu como amiga. O que a fez assumir essa posição preconceituosa? Se foi só para conquistar votos, buscando um espaço político conservador, é triste. Mas a minha impressão é uma só: Myrian Rios deve ser muito burra.

Só mesmo a falta de inteligência faz alguém confundir orientação sexual com pedofilia. Se ela afirma que não quis dizer isso, pior. Então, não sabe nem criar um discurso coerente.

Só não passou uma coisa pela cabeça da nobre deputada: não é porque uma criança é criada junto a um ou uma homossexual que terá a mesma orientação sexual. Afinal, a maioria absoluta dos homossexuais é filha de casais héteros.

Alguém discorda?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Primeiro Casamento Gay do Brasil

ABGLT -  NOTA PÚBLICA - SOBRE PRIMEIRO CASAMENTO GAY DO BRASIL

A ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – cumprindo seu relevante papel social de defender a Dignidade e a Cidadania de pessoas LGBT, representadas nas 237 associações civis, componentes da estrutura de representação desta Entidade Nacional em todas as unidades da federação, vem a público PARABENIZAR a decisão do juiz de direito Fernando Henrique Pinto, da cidade de Jacareí, no interior de São Paulo, pela conversão da união estável de Luiz André Moresi e José Sérgio Sousa em casamento civil.

Em 05 de maio, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgarem a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, reconheceram a união estável para casais do mesmo sexo.

Com a decisão do STF, o magistrado de Jacareí baseado pelos preceitos fundamentais da constituição federal, que garante o principio da igualdade e da isonomia decidiu corretamente pela conversão da união em casamento.

Importante dizer, que o casal Luiz André Moresi e José Sérgio Sousa protagonizam um histórico e importante momento para a sociedade brasileira, pois são o primeiro casal gay a ter sua relação de oito anos reconhecida como casamento civil.

A ABGLT entende que o julgado do Juiz Fernando Henrique Pinto foi constitucional, baseando-se também no princípio Laico do Estado brasileiro, não permitindo a interferência da religião nas decisões do Estado. Além disso, importante decisão só reforça o que o STF tão bem definiu que casais de pessoas do mesmo sexo são reconhecidamente entidade familiar e sendo assim, devendo como família ter a proteção do Estado.

A ABGLT reforça que a referida decisão contribui para uma sociedade democrática , fraterna e plural, onde todas e todos possam ter os mesmos direitos e deveres, sem discriminação e privilégios.

São Paulo, 27 de junho de 2011

Irina Bacci
Secretaria Geral
ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

Deputada Myriam Rios, a danadinha santa do pau oco.

Deputada Estadual do PDT do Rio de Janeiro, ex- atriz, Missionária Católica, faz uma lambança no plenário da Assembléia Legislativa, mistura homossexualidade com pedofilia, fala um montão de bobagens e causa perplexidade.

“Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um homossexual como meu empregado, eventualmente”.

“Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas [as crianças], e eu não vou poder fazer nada”.
“Se eu contrato um motorista homossexual, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir sim, para mostrar que minha orientação sexual é outra”,

“Eu queria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie”.

Você lembra da Myriam Rios? É aquela ex-do Roberto Carlos, que apesar de se dizer católica não era casada com ele. Olha como ela já era danadinha. Isto tudo era amor à arte, missionária? Pois é esta aí que está cagando regra de moralidade no mais alto de seu analfabetismo político. Faz questão de dizer que não discrimina ninguém, mas que quer ter o direito de demitir um motorista gay pedófilo ou uma babá lésbica pedófila. Você compraria um carro usado da missionária?




A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), emitiu uma nota de descontentamento das declarações de Myriam Rios, cujo inteiro teor é o seguinte:

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), em nome de suas 237 ONGs afiliadas, vem por meio expressar seu extremo descontentamento diante das afirmações equivocadas e irresponsáveis sobre as pessoas homossexuais feitas pela deputada estadual Myrian Rios (PDT/RJ) no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro durante debate sobre o Projeto de Emenda Constitucional 23/2007 que inseriria a “orientação sexual” no rol de direitos fundamentais da constituição do Estado do Rio de Janeiro, garantindo que ninguém seria discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão da mesma.

O discurso da deputada consta no vídeo Ir para YouTube http://www.youtube.com/watch?v=1J_m0DLIEMc&feature=player_embedded

Lamentável observar mais uma vez uma parlamentar descumprir seu dever como legisladora de se pautar pelo princípio da laicidade do estado e pelo cumprimento dos preceitos fundamentais da Constituição, sendo que a mesma optou e escolheu - ao contrário - basear-se em sua convicção de “missionária católica”.

Pior ainda foi a manipulação proposital e antiética da opinião pública por parte da deputada Myrian Rios em fazer uma associação direta, incorreta e perversa entre a homossexualidade e a pedofilia. Ora, tem sido comprovado cientificamente que a maior ocorrência de abuso sexual de crianças e adolescentes se dá pelos próprios pais e por figuras de autoridade que detêm a confiança dos mesmos. Este consta entre os principais motivos da destituição do pátrio poder. Os estudos científicos também confirmam que não há diferença entre o grau de incidência do abuso sexual de crianças e adolescentes por adultos heterossexuais ou homossexuais. Não há, portanto, fundamento cientificamente comprovado que possa respaldar as afirmações preconceituosas e discriminatórias da deputada de que seus filhos pudessem vir a ser vítimas de pedofilia por parte de funcionários homossexuais eventualmente contratados por ela. A deputada afirma que não é preconceituosa e que não discrimina, porém tacha as pessoas homossexuais de “pedófilas”, alegando assim “proteger crianças e adolescentes inocentes”. Esta afirmação se enquadra tão somente em ato de discriminação e de incitação ao ódio e à violência às pessoas homossexuais.

Queremos indagar: a deputada defenderia seu “direito de demitir uma pessoa”, se esta pessoa fosse negra, como base no raciocínio de que “não está de acordo com a minha” cor? O teor discriminatório do discurso da deputada se encontra neste paralelo, que por sua vez revela precisamente a justiça do propósito do PEC 23. Enquanto o racismo já se encontra criminalizado, a discriminação homofóbica permanece impune. E a deputada se vale desta omissão perversa para se cobrir de uma suposta “razão”, baseada num senso comum sem qualquer fundamento, se não o puro preconceito.

As pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, assim como as pessoas heterossexuais, NÃO ESCOLHEM e nem OPTAM por ter a sexualidade que têm. Faz parte de sua personalidade, e só. Para quê a deputada – cuja função deveria ser legislar de acordo com os princípios constitucionais – invoca o livro Gênese da Bíblia? O Brasil não é um estado teocrático. Não é regido pela Bíblia. O Brasil é um estado laico, regido por uma Constituição. É a obrigação dos/das parlamentares legislarem conforme a Constituição. Caso contrário, suas proposições não seriam aprovadas, devido à própria inconstitucionalidade. É por isso que existem nas casas legislativas as Comissões de Constituição e Justiça – para garantir a conformidade das propisições.

O Projeto de Emenda Constitucional 23/2007 não permitiria nem a discriminação e nem o privilégio por orientação sexual ou identidade de gênero. Tinha apenas o objetivo de garantir o cumprimento do preceito constitucional da igualdade de todos e todas, indiscriminadamente. Aliás, foi este o princípio que norteou a decisão do Supremo Tribunal Federal em equiparar as uniões estáveis homoafetivas às uniões estáveis entre casais heterossexuais. No estado brasileiro, laico e regido pelos princípios da igualdade e da não discriminação, há de se garantir a igualdade de direitos aos heterossexuais e aos homossexuais, “sem distinção de qualquer natureza”.

Imperam, em qualquer esfera que seja – federal, estadual, municipal – os preceitos fundamentais da Constituição.

O Projeto de Emenda Constitucional 23/2007 não tem o propósito de restringir o direito da liberdade de expressão. Apenas visa a garantir o preceito constitucional da não discriminação.

Posto isto:
· exigimos do Partido Democrático Trabalhista (PDT) a tomada imediata de medidas internas em relação ao pronunciamento da deputada estadual Myrian Rios, com base na afirmação deste partido publicada em seu site de que o “PDT assumirá, dentre seus compromissos prioritários, a causa das mulheres, dos negros, das populações indígenas e o combate a todas as formas de discriminação, buscando a democracia e a justiça social através da igualdade de oportunidades.” Compromisso este que foi claramente contrariado pela deputada Myrian Rios.

· pedimos que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro instaure inquérito quanto aos pronunciamentos acima citados da deputada estadual Myrian Rios acerca do PEC 23.

· pedimos que a Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos do Governo de Estado do Rio de Janeiro tome todas as medidas judiciais cabíveis em relação aos pronunciamentos da deputada estadual Myrian Rios acima citados.

Curitiba, 27 de junho de 2011

Toni Reis
Presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais







sábado, 25 de junho de 2011

Deu no The New York Times. A emoção do sublime.

O jovem pintor brasileiro Lucas Arruda virou notícia no The New York Times. Ele é de São Paulo, tem 28 anos, é filho do meu companheiro, e sua mostra de pinturas a óleo na I 20 Gallery, no Chelsea, em Manhattan acaba de ser citada por Ken Johnson no The New York Times. Nada como tirar proveito na fama dos outros, não é não?  Principalmente quando os tais "outros" são tão próximos dos meus rudimentos de paternidade.




Para aqueles que  se dão bem com o idioma de Tio Sam,  Clique aqui para ler no site do jornal ou leia abaixo.

"Ele é, ao que parece, genuinamente compelido pela idéia de captura de experiência vivida no pintar. Parte do que está metaforicamente na margem exterior da civilização e perscrutando o cosmos desconhecido e incognoscível talvez. É a emoção do sublime"


"Lucas Arruda, of São Paulo, Brazil, is only 28, but his small, beguiling land and seascape paintings look as if they were made 150 years ago by a follower of Whistler. Working along the border between abstraction and representation on laptop and smaller-size canvases Mr. Arruda paints pictures of flat land, water and expansive, glowing skies minimally interrupted by low rocks and forested islands. He mostly uses severely muted colors and applies paint in a variety of ways: thick, thin and brushy, sometimes scratching in with the wrong end of the brush. At the same time as he asserts the matter-of-fact physicality of the medium, he creates luminous space. Many pictures suggest views of beaches at low tide on foggy mornings; others evoke twilight. You see through the eyes of the lonesome Romantic wanderer who haunts the paintings of artists like Caspar David Friedrich and Edward Hopper.

Mr. Arruda is not naïve, and neither is he a conservative revivalist of Modernist tradition. Nor is he a Postmodernist playing clever games with picturesque clichés. He is, it seems, genuinely compelled by the idea of capturing lived experience in paint. Part of that is being metaphorically on the outer fringe of civilization and peering into the unknown and perhaps unknowable cosmos. It is the thrill of the sublime. The other part is the strange and fascinating fact that mere colored paste smeared on fabric in the right way can evoke infinity without surrendering its own immediately sensual finitude."





sexta-feira, 24 de junho de 2011

Marcha da cidadania, Parada do Orgulho de LGBT. 26.06.2011.

São Paulo é mais gay ou evangélica?

de Gilberto Dimenstein

"Como considero a diversidade o ponto mais interessante da cidade de São Paulo, gosto da ideia de termos, tão próximas, as paradas gay e evangélica tomando as ruas pacificamente. Tão próximas no tempo e no espaço, elas têm diferenças brutais.


Os gays não querem tirar o direito dos evangélicos (nem de ninguém) de serem respeitados. Já a parada evangélica não respeita os direitos dos gays (o que, vamos reconhecer, é um direito deles). Ou seja, quer uma sociedade com menos direitos e menos diversidade.

Os gays usam a alegria para falar e se manifestar. A parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade. Nesse ano, um do seus focos foi o STF.

Por trás da parada gay, não há esquemas políticos nem partidários. Na parada evangélica há uma relação que mistura religião com eleições, basta ver o número de políticos no desfile em posição de liderança. Isso para não falar de muitos personagens que, se não têm contas a acertas com Deus, certamente têm com a Justiça dos mortais, acusados de fraudes financeiras.

Nada contra --muito pelo contrário-- o direito dos evangélicos terem seu direito de se manifestarem. Mas prefiro a alegria dos gays que querem que todos sejam alegres. Inclusive os evangélicos.

Civilidade é a diversidade. São Paulo, portanto, é mais gay do que evangélica."

publicado no site da Folha de São Paulo de 24.06.2012. Leia direto no site da folha clicando aqui.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Mais um pouco de pau nos evangélicos fundamentalistas.

Comentário inteligente sobre religiosos evangélicos. E quem dá pau é Barack Obama.

Ai, meu Jesus Cristinho...


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Atenção policiais militares cristãos: tem que trabalhar para garantir seus empregos públicos.

Ai papai do céu, me ajude!

Assim não dá não. Aparece um cara intitulando-se policial militar cristão, o que é uma imbecilidade, e repudia a convocação feita pelo Governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, para que os policiais façam a segurança na Parada do Orgulho Gay no Rio de Janeiro. Policial militar é policial militar e ponto. Não existe policial militar cristão. Existe policial militar, servidor público de um estado laico. Cristão, macumbeiro, angnóstico, budista as pessoas são na sua vida particular, pessoal.

E este servidor público se acha no direito de se negar a cumprir a ordem do governador. Isto é tosco, baixo e vil. Daqui há pouco alguém aparece por aí dizendo que por razões de fé não deve trabalhar 8 horas por dia, e invoca o preceito da liberdade religiosa. Este daqui do vídeo abaixo acha que não deve fazer segurança na Parada do Orgulho Gay por que "a Bíblia é contra a homossexualidade". A Bíblia não fala nada disso, esta é uma invenção das igrejas fundamentalistas e de intérpretes equivocados.

Eu já ando meio sem paciência com a imbecilidade e o baixo nível que o fundamentalismo religioso tem provocado no Brasil. Estes caras estão provocando uma guerra baseada na intolerância, e usando o nome de Deus em vão.

Vejam o caso concreto. O cara é servidor público, o que significa que ele trabalha para um estado laico, na área de segurança. E por que a sua profissão de fé não lhe permite ser democrático nem respeitar o direito de LGBTs, ele acha que ele pode querer trazer para dentro do quartel as suas convicções de fé. E quem paga o salarinho dele no final do mês são todos os cidadãos, inclusive os gays que ele repudia. Mas ele aceita o salário na boa e não faz restrição nesta hora. Espertinho este militar cristão, não é?

Gente como ele tem é que ser demitida a bem do serviço público. Estão atentando contra o estado laico e contra a hierarquia funcional no serviço público.

Rua! Vamos... rua! Vai trabalhar de segurança privada na Igreja. O serviço público não admite este tipo de atitude.


domingo, 12 de junho de 2011

TICO TICO NO FUBÁ FILARMÔNICA DE BERLIM

Apresentações como estas são capazes de converter espíritos e despertar paixões.

Linda. Sublime.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tucanos na luta pela cidadania LGBT

Sinais dos tempos. O Governador de São Paulo Geraldo Alckamin enviou uma mensagem aos militantes tucanos que acabam de instituir o Secretariado de Diversidade Sexual do PSDB.

Não posso deixar de registar este importante momento para nossos amigos de bico longo que estão sob o amparo das cores do arco íris. Assim se constrói a democracia, com diversidade político partidária e diversidade sexual.



domingo, 5 de junho de 2011

A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria!

MARCHA DAS VADIAS







A manifestação pública de grupos de mulheres ontem, sábado, 04.06.2011, em São Paulo, é uma versão brasileira, da “Marcha das Vadias” (Slut Walk) que terminou com um protesto em frente ao Comedians, o clube de comédia dos integrantes do programa da Band CQC, Rafinha Bastos e Danilo Gentili.


Na porta do clube, mulheres se manifestavam contra uma piada sobre estupro e mulheres feias feita por Rafinha no seu solo de "stand-up". “mulher feia deve ser estuprada, é um favor a ela, e o estuprador deve ser abraçado” disse o humorista.

Danilo Gentili fez as seguintes declarações (pérolas) em defesa do seu colega Rafinha

(Danileo Gentili é aquele que já fez piada comparando jogador de futebol negro com macaco, que também afirmou que judeus velhos de Higienópolis têm medo do metrô naquele bairro, pois poderia levá-los até Auschwits, e que o colunista da Folha de São Paulo Marcelo Coelho chamou-o, com propriedade, de Politicamente Fascita)

“Rafinha fala o que quer, eu falo o que eu quero. Isto é liberdade”

“Eu acho engraçado."

"O Rafinha fez uma piada há cinco, seis anos, e ninguém nunca encheu o saco.”

“Você julgar o cara por causa de 140 caracteres eu acho que não é válido.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

CURSO DE DIREITO E DIVERSIDADE SEXUAL - 11 - 18 e 25 de junho

O GADVS Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e o Sindicado dos Advogados de São Paulo estão promovendo um curso sobre DIREITO E DIVERSIDADE SEXUAL, que acontecerá nos próximos dias 11, 18 e 25 de junho, sábados, das 10:00 às 13:0s no Sindacato dos Advogados de São Paulo, que se localiza na Rua da Abolição no. 167,  Bela Vista, São Paulo SP.

Junho é o mês da Parada do Orgulho LGBT e tanto o Gadvs como o Sindicato dos Advogados vão participar dos eventos que promovem a cidadania LGBT.  Buscamos neste curso oferecer conhecimento acerca das questões relativas ao direito de LGBTs, conforme programação abaixo. Ele é direcionado a operadores de direito, defensores de direitos humanos e estudantes.

Tá certo que eu sou supeito para falar e recomendar o curso, pois sou associado do sindicato, faço parte do Gadvs e serei um dos palestrantes. Mas, mesmo assim, lá vai: Eu recomendo.

Depois do cartaz, seguem as informações e o programa. Se quiser ver o cartaz com maior nitidez e em tamanho maior clique duas vezes. 



 PROGRAMAÇÃO


11 de Junho
Abertura: Metas de Políticas Públicas
Palestrante - Dra. Heloisa Helena Cidrin Gama Alves
Advogada; Coordenadora de Políticas Públicas para Diversidade
Sexual do Estado de São Paulo; membro do Gadvs

Orientação Sexual e Identidade de Gênero
Palestrante - Sra. Laura Bacellar
Escritora e diretora da Editora Malagueta

União Estável (Escritura Pública e Processo)
Palestrante - Dra. Iolanda Aparecida Mendonça
Advogada nas áreas criminal, família e dire ito homoafetivo, membro do
GADVS da  Frente Paulista contra Homofobia e do IBDFAM


18 de Junho
Família Homoparental
Palestrante - Dra. Maria Cristina O. Reali Esposito
Advogada; Coordenadora e Professora do Curso de Direito Homoafetivo da
ESA/SP; Professora de Ensino Superior na Universidade Nove de Julho

Adoção por homossexuais
Palestrante - Dra. Sylvia Mendonça do Amaral
Advogada na área de Direito Civil; Especializada em Direito de Família
e sócia efetiva do IBDFAM


25 de Junho
Adequação de Sexo e Mudança de Nome
Palestrante - Dr. Paulo Roberto Iotti Vecchiatti
Advogado; mestre em Direito Constitucional pela Instituição Toledo de
Ensino; autor do livro “Manual da Homoafetividade” e membro do GADVS.


Homofobia (Aspectos Práticos e Legais)
Palestrantes - Dra. Margarette Baretto
Delegada e Coordenadora de Crimes de Intolerância

Dr. Eduardo Piza G. de Mello
Advogado especialista em Direito Público; membro do GADVS; do
Instituto Edson Néris e da Comissão Nacional de Direito Homoafetivo
do IBDFAM


INSCRIÇÃO
Local e Inscrições: Sindicato dos Advogados – Rua da Abolição, nº 167 - Bela Vista,
Com Jô das 09hs00 às 17hs00, de 2ª a 6ª feira. Contato (11) 3105-2516
preço do curso: R$ 70,00; R$ 35,00 (estudantes) e R$ 50,00(sócios do
sindicato)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Valeria e Janete - Ai como eu tô bandida!

Se tem um programinha xinfrim é o tal de Zorra Total, que passa nos sábados à noite na Globo; Ele sempre tem os mesmos quadros e as mesmas piadas, anos a fio. Adora escorregar num humor baixo e desclassificado, com muito preconceito e mau gosto. É o eterno enterro dos ossos do "Balança mas não cai".

Mas, alguns artistas têm se destacado com certo talento e com a sorte de bons textos para guiá-los, como Lady Katy, por exemplo. Este é também o caso do novo quadro da transexual Valéria e de sua amiga Janete, duas figuras hilárias que retratam o jeito e o modo de vida dos moradores do suburbio carioca. Elas estrearam no sábado passado, 28.05.2011, e são engraçadas.


Um par talentoso de humoristas, Rodrigo Sant'Anna (Valéria) e a Thalita Carauta (Janete). Confira.


terça-feira, 31 de maio de 2011

Nota de Repúdio contra negociata do Governo Dilma que blinda Palocci e rifa direitos de LGBTs.

Nota Oficial de Repúdio da rede CONEXÃO PAULISTA LGBT, da FRENTE PAULISTA CONTRA A HOMOFOBIA E DO GADvS – GRUPO DE ADVOGADOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL sobre a suspensão do kit educativo do projeto Escola Sem Homofobia.

A FRENTE PAULISTA CONTRA A HOMOFOBIA – iniciativa de união de grupos do movimento social LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), de partidos políticos, órgãos públicos municipais e estaduais de São Paulo, entidades religiosas, centrais e sindicatos de diversas categorias de trabalhadores, entidades representativas de segmentos da iniciativa privada e cidadãos e cidadãs paulistas que atuam contra a homofobia, a CONEXÃO PAULISTA LGBT e o GADvS – GRUPO DE ADVOGADOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL, em atenção à decisão da Presidenta Dilma Roussef de suspender a produção e a distribuição do kit anti-homofobia junto às escolas públicas brasileiras, que estava em planejamento no Ministério da Educação, vem se manifestar nos seguintes termos:

Tal notícia causa consternação e indignação às pessoas jurídicas e cidadãos e cidadãs integrantes da Frente, da Conexão e do GADvS, em vista da excelência do conteúdo programático e da finalidade de promover conscientização acerca do respeito à dignidade da pessoa humana e do combate à homofobia constante no referido Kit anti-homofobia. Os jovens alunos e alunas das escolas públicas ficarão privados de acesso a informação privilegiada para a formação do caráter e da consciência de cidadania de uma geracao livre de preconceitos e violencia, ou violacao de direitos.

Este é um retrocesso que o Governo Federal está impondo à luta pela igualdade e pelo respeito à livre orientação sexual das pessoas. É um retrocesso na luta por uma educação de qualidade que liberta. É sabido que setores conservadores da sociedade brasileira – atrasados, retrógrados e desprovidos de conhecimentos segundo os quais direitos sexuais são elementos constitutivos dos direitos fundamentais da pessoa humana - têm se manifestado e atuado de modo a reforçar e a manter vários cidadãos e cidadãs brasileiros sob o julgo do preconceito e da discriminação por orientação sexual. E, nesta perspectiva, atuaram com forte pressão para a suspensão da distribuição do kit anti-homofobia. Afinal, o kit anti-homofobia não faz “propaganda de opção sexual” (sic), a uma porque orientação sexual e identidade de gênero não são passíveis de “escolha” ou “ensinamento”, sendo que as pessoas simplesmente se descobrem como homossexuais, heterossexuais, bissexuais, travestis ou transexuais independentemente de escolhas ou ensinamentos, como é notório e basilar a qualquer pessoa que estude minimamente o tema; a outra porque o kit anti-homofobia não pretende nada mais do que conscientizar professores e alunos adolescentes de que a homossexualidade, a bissexualidade, a travestilidade e a transexualidade são modos de ser de determinadas pessoas que merecem igual respeito e consideração por parte da sociedade relativamente ao respeito e consideração destinados à heterossexualidade, de sorte a promover um ambiente social pluralista e respeitador das diferenças, o que é inerente à vida em sociedade.

Nos últimos anos, a sociedade brasileira tem sido instada a refletir sobre a importância de proteger crianças e adolescentes da violência oriunda do bullying – como aquela decorrente do bullying homofóbico e de tantas outras oriundas da intolerância e do preconceito. Nesta perspectiva, a Frente, a Conexão e o GADvS esperam que a Presidenta da República reconsidere sua posição, para restabelecer a programação de distribuição do kit anti-homofobia junto às escolas públicas brasileiras, sabendo ser forte o suficiente para não sucumbir às pressões de setores conservadores e distantes da realidade social brasileira.

Fora também divulgada notícia de manobra política visando "blindar" as investigações acerca da evolução patrimonial do atual Ministro da Casa Civil Antonio Palocci, consistente em troca de favores, na qual os setores conservadores anuiriam em uma operação "abafa" das investigações, desde que o governo federal suspendesse a distribuição do kit anti-homofobia. Esclareça-se, desde já, que a Frente, a Conexão e o GADvS não pactuam com tais práticas políticas de temerária honradez, enfatizando que a laicidade do estado, o combate à homofobia, a transparência dos atos públicos e o combate à corrupção são elementos fundamentais na construção de uma República, que é a esperança do Brasil.


Nesse sentido, vale dizer que embora a disputa de interesses seja à democracia, com diferentes grupos se contrapondo por intermédio de de ações políticas com o intuito de concretizarem seus projetos sociais conforme seus pontos de vista, é de se criticar a postura da chamada Bancada Religiosa do Congresso Nacional, que se tem ocupado de tentar obstruir quaisquer conquistas dos cidadãos LGBT, e dos benefícios dessas conquistas à sociedade em geral, apenas por essas pessoas serem o que são. Dessa forma, cria-se um antagonismo político baseado em sexualidade, que é atributo essencial da pessoa humana, assim como o são raça, etnia e cor da pele, à semelhança de regimes que dizimaram ou impuseram submissão a milhões de pessoas em todo o mundo, com o que não se pode aceitar em razão da verdadeira opressão que a negativa de direitos por questões tão íntimas e indispensáveis à vida humana geram.

A decisão da Exma. Sra. Presidenta de suspender o referido projeto não é de interesse exclusivo da população LGBT. Trata-se de um precedente temerário que submete os Direitos Humanos à uma política nefanda e exige uma manifestação vigorosa da sociedade. Por isso, conclamamos Vossa Excelência a reconsiderar a referida decisão, respeitando os pareceres técnicos do MEC e da UNESCO que já aprovaram o referido material, de sorte a concretizar o Brasil Sem Homofobia no âmbito das escolas, para que possamos ter esperanças de, um dia, termos Escolas Sem Homofobia.

Sem mais para o momento, subscrevemo-nos.

FRENTE PAULISTA CONTRA A HOMOFOBIA
CONEXÃO PAULISTA LGBT
GADvS – GRUPO DE ADVOGADOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL

Estado laico. O que é isso, companheira?

A organização não governamental "Católicas pelo Direito de Decidir" emitiu uma carta aberta à Presidente Dilma  Roussef contra a suspensão do Kit anti homofobia e às suas declarações sobre propaganda de opção sexual. "Católicas" é uma organização internacional voltada às questões de direitos humanos, direitos reprodutivos e igualdade de gênero. Suas participações são muito relevantes em qualquer campanha e a reputação da entidade é em razão do trabalho que desempenha em favor das mulheres no mundo.


Carta aberta de Católicas pelo Direito de Decidir à Presidenta Dilma Rousseff sobre a polêmica criada em torno do kit anti-homofobia

Presidenta Dilma,

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Não gosto dos meninos". Curta Imperdível.


Depois de assistir a este curta metragem, você não será mais a mesma pessoa.
E a mudança será para melhor.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ozana

Ozana no jardim de sua casa,
em Londrina, anos 90.

No dia 25 de abril passado a cabeleireira Ozana Arruda morreu no Hospital do Coração, em Londrina, Norte do Paraná, depois de dois dias internada na UTI e de ter sofrido um enfarte e 7 paradas cardíacas.

Ela tinha 84 anos, nasceu em São Joaquim da Barra, Estado de São Paulo, e desde pequena já trabalhava na roça, ajudando seus pais no plantio de milho, café, hortaliças, montando cavalos e guiando charretes, em Jaguapitã, Paraná. Era apaixonada por plantas, sabia como cultivá-las e sempre teve em sua casa muitos vasos e jardins, com as mais diversas espécies de flores, folhagens, árvores, etc.


Ozana no Rio Cristina, em Barra
do Una em jan de 2008

Em minha casa, no Sertão de Barra do Una, São Sebastião, litoral norte de São Paulo, onde Ozana esteve por várias vezes, ela levava e plantava mudas que se tornaram grandes árvores e folhagens, que estão hoje embelezando o jardim. Por onde passo vejo seus rastros.

Ozana casou se com Chicão e teve 4 filhos: Rose, Roldão, Carlos e João, e todos abraçaram a profissão de jornalista. Sua origem humilde não lhe permitiu estudar na infância e juventude, de modo que, somente depois que os filhos estavam criados, ela decidiu ir a escola e se alfabetizar. Há alguns anos passou a frequentar aulas de natação, já com idade acima de 70 anos, e sempre que podia mostrava seus dotes de nadadora nas piscinas, rios e praias onde passava.

                                                                                                                                                 
Ozana, de pe´, à direita, em seu salão,
anos 60, Jaguapitã -PR

Mas, o que ela gostava mesmo era de trabalhar. Eita mulher laboriosa. Foi com o seu trabalho como cabeleireira que ajudou o marido e encaminhou os filhos. Até seus últimos dias Ozana mantinha uma pequena frequesia, que tinha a mesma média de idade que a sua e para a qual fazia cabelo, mãos e pés. Eu mesmo fui seu cliente, algumas vezes. Mas, é claro que, para a família, ela não cobrava. Se tinha uma coisa que Ozana não entendia era de dinheiro. Não sabia cobrar e nem ganhar dinheiro.


Ozana na cozinha da casa do filho
João, natal de 2007, Londrina PR

Outro ponto eram seus dotes culinários. Ela adorava cozinhar, fazer muitos pratos e dos mais diversos tipos. Nalgumas vezes que eu a visitava, tinha lá uma feijoada me esperando, por deferência pessoal. Fazia também um bom frango recheado, farofa, saladas e outras delícias que só de lembrar me dão água na boca. No começo do ano tive vontade de comer uma polenta com molho de tomate, prato bem simples, e toca eu então a ligar para a Ozana para ela me ensinar como se preparava uma deliciosa polenta.

Nos últimos dez anos Ozana também realizou, na sua melhor idade, um sonho que acalentava desde moça, que era cantar em coral. Escolheu logo ir cantar no Coral de Santa Cecília, da Catedral Metropolitana de Londrina. Todos os domingos, na missa das 10:30 da manhã, estava lá Ozana cantando na Catedral, com direito à transmissão pela rádio católica da cidade.

O prefeito de Londrina decretou luto oficial de 3 (três) dias quando ela morreu. Houve também um discurso na Assembléia Legislativa do Paraná, homenageando sua memória, e a publicação de um voto de pesar no Diário da Camara Federal. Até o prefeito de Curitiba enviou condolências à família. Os jornais de Londrina publicaram notas do seu falecimento, e um deles deu espaço para uma nota especial intitulada "Ozana nas alturas!". Passaram pelo seu velório centenas de pessoas, amigos, muitos profissionais de imprensa, deputados, vereadores, ex prefeitos, ex senadores, etc. Todos os porteiros do prédio onde morava foram dar adeus à Dona Ozana, que diariamente os presenteava com pratos de refeição, lanches e café. O cortejo fúnebre era longo e ocupou alguns quarteirões com vários carros enfileirados.

Embora tivesse uma vida simples, sem qualquer papel significativo no cenário político, e tampouco era uma celebridade, a morte de Ozana causou muita comoção. Isto por que Ozana, ou Dona Ozana, como era mais conhecida, virou unanimidade para todos que a conheciam. Uma pessoa generosa, doce, meiga. A casa dos Arruda desde cedo virou ponto de encontro dos amigos de seus filhos, gente de grupos de teatro amador e do movimento estudantil, fila bóia, que gostava do tempero da Ozana, ou que que sequer  tinha dinheiro para pagar almoço. E, todos eram sempre benvindos.



Visita a Aparecida
do Norte, em 2003. Ozana à
esquerda, ao lado de Eduardo
e D. Maria.




  Eu mesmo fui entrando devagarinho no seu coração, até que consegui o título vitalício e remido de "agregado" da família. Contava com uma arma secreta para seduzí-la, que era de acompanhá-la para visitar o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, nas vezes que vinha para São Paulo.  Cheguei também a lhe enviar pelo correio várias fitinhas de pulso com o nome da padroeira do Brasil. E assim deu certo! Ela está fazendo uma falta danada.





Quadro "Ozana" - Lucas Arruda
maio 2011,  I 20 Gallery NY.
Na próxima quarta feira, 25 de maio, quando completará um mês de falecimento de Ozana, o jovem pintor Lucas Arruda abrirá uma mostra individual na I-20 Gallery em Nova York e renderá uma homenagem à avó, intitulando de Ozana uma de suas obras. As demais obras não terão títulos.


Ninguém resiste a lhe prestar um tributo. Este relato é uma pequena homenagem que faço à Ozana, em reconhecimento e agradecimento por todas as coisas que ela fez e deixou, que me ajudaram a ser mais feliz. Ozana nas alturas!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os velhos judeus de Higienópolis, o metrô para Auschwitz e Danilo Gentili, o politicamente fascista

O colunista da Folha Marcelo Coelho escreveu uma memorável matéria em 18.05.2011, sobre a imbecilidade de Danilo Gentili e de toda a estirpe de "artistas e intelectuais" como ele:  reacionários, direitistas e fascistoides. Ele fez uma piada de péssimo gosto, afirmando que os velhos judeus de higienópolis não querem o metrô por lá pois temem que ele os leve para Auschwitz. Vale a pena ser lida, Segue abaixo na íntegra. clique aqui para ler a matéria no site da Folha. 

Se antes eu já não gostava deste sujeito, agora então não restam mais dúvidas. Faltam lhe talento e sensibilidade, sobra lhe boçalidade. Para quem não se recorda Gentili já andou falando merda outras vezes sobre gays e negros. Disse que negro que tem orgulho de ser negro é burro e comparou jogadores de futebol negros a macacos, que quando melhoram de vida casam com loiras. “King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?”


Este tipo de "jornalista/humorista/apresentador de televisão/crítico" acha que nasceu com o dom de falar coisas engraçadas e inteligentes ao mesmo tempo. Mas, a gente percebe logo de cara que ele é um embuste e não consegue enganar ninguém se escondendo neste jeito truqueiro de "politicamente incorreto".

Este cara deveria pegar o trem dos desempregados, isto sim.
Danilo  Gentili, o "artista"


   Judeus prisioneiros em Auschwitz